Please use this identifier to cite or link to this item:
https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/24402| Document Type: | Tese |
| Title: | Dimensões do privilégio branco no SUS: a experiência da classe média |
| Authors: | Almeida, Rosely Anacleto de Jesus Morais de |
| Issue Date: | 28-Nov-2025 |
| Advisor: | Ferreri, Marcelo de Almeida |
| Resumo : | Adotando a perspectiva dos de baixo, interrogo, nesta tese, como se manifesta o privilégio branco nas experiências herdadas e compartilhadas por usuários da classe média (AB) no contexto do SUS. A pesquisa inscreve-se no campo da Psicologia Crítica, engajada e situada, orientada por uma práxis anticapitalista, anticolonialista e antirracista. Fundamenta-se no marxismo e nos estudos críticos da branquitude. Caracteriza-se como estudo misto de abordagem qualitativa e caráter exploratório, combinando fontes variadas de análise: literatura especializada, documentos institucionais, indicadores censitários, dados do Ministério da Saúde, acervo iconográfico e autoetnografia multisituada. O primeiro capítulo apresenta uma revisão de escopo com 24 manuscritos, evidenciando a lacuna de investigações centradas na branquitude de usuários. O segundo capítulo historiciza a formação da classe média branca no Brasil, com ênfase no "milagre econômico" durante o regime militar, período de massificação de privilégios em troca de suporte ideológico. O terceiro capítulo tensiona a narrativa hegemônica do Movimento de Reforma Sanitária Brasileira (MRSB) de construção do SUS "pela base", argumentando, contrariamente, que o SUS resultou de um pacto elitista liderado por intelectuais e técnicos majoritariamente brancos, adeptos da matriz eurocomunista do Partido Comunista Brasileiro, que haviam abandonado um horizonte emancipatório. O afastamento dos segmentos vulnerabilizados gerou uma crise de legitimidade no MRSB, designada como o "fantasma da classe [raça] ausente" por algumas lideranças. Herdeira da política imigrantista, a classe média branca, via MRSB, atuou na formulação da legislação sanitária, alinhando-se ao fomento à indústria farmacêutica e à mercantilização da saúde, além de boicotar um sistema verdadeiramente único, condicionando seu apoio ao SUS à manutenção de convênios privados. Dessa forma, garantiu dupla cobertura assistencial. O quarto capítulo denuncia a omissão institucional na coleta e no registro do quesito raça-cor nas instâncias do SUS, impactando a equidade do sistema de saúde. Os resultados analíticos, apresentados nos três últimos capítulos, indicam a existência de deferências materiais e simbólicas usufruídas pela classe média branca. Entre as vantagens materiais, destacam-se: a concentração de 69% dos estabelecimentos de saúde localizados no “território de branquitude”, assegurando comodidade e rapidez nos atendimentos emergenciais; a disponibilidade de tempo para práticas culturais, desportivas e de lazer; a subversão de normas institucionais; a ocultação de informações sem prejuízo da assistência; a apropriação indevida de benefícios assistenciais; a customização de serviços relacionados a insumos específicos; o acesso privilegiado a tecnologias; as decisões judiciais e direitos sociais vinculados a diagnósticos; a adoção de condutas consumeristas; além de isenções fiscais e reembolsos com despesas ilimitadas de saúde. No âmbito simbólico, constatou-se a produção de hierarquias raciais por meio da adoção de uma linguagem institucional na Rede de Atenção à Saúde de Aracaju que celebra e enaltece a memória da racialidade branca. Dessa forma, a tese aporta à Psicologia Crítica a articulação dos conceitos de branquitude e racialidade, a valorização de saberes marginalizados e o aprofundamento da análise da interseção raça-classe em um sistema presumidamente único. Adicionalmente, a pesquisa desenvolve uma genealogia transversal das relações sociorraciais no contexto brasileiro, com ênfase na realidade sergipana e, em menor escala, na experiência pernambucana. |
| Abstract: | Adopting the perspective of those from below, this dissertation examines how white privilege
manifests itself in the inherited and shared experiences of middle-class users within the context
of the Unified Health System. The research is inscribed within the field of Critical Psychology,
engaged and situated, guided by an anti-capitalist, anti-colonialist, and anti-racist praxis. It is
grounded in Marxism and critical whiteness studies. This research is characterized as a mixedmethods study with a qualitative approach and an exploratory nature, combining various
sources of analysis, including specialized literature, institutional documents, census indicators,
Ministry of Health data, an iconographic collection, and multi-sited autoethnography. The first
chapter presents a scoping review of 24 manuscripts, highlighting the gap in investigations
focused on user whiteness. The second chapter historicizes the formation of Brazil's white
middle class, emphasizing the "economic miracle" during the military regime, a period of
privilege massification in exchange for ideological support. The third chapter challenges the
hegemonic narrative of the Brazilian Health Reform Movement (MRSB), constructing SUS
"from the grassroots," arguing instead that SUS resulted from an elitist pact led by
predominantly white intellectuals and technicians, adherents to the Eurocommunist matrix of
the Brazilian Communist Party, who had abandoned an emancipatory horizon. The distancing
of vulnerable segments generated a legitimacy crisis in the MRSB, designated as the "phantom
of the absent class [race]" by some leaders. Heir to immigration policy, the white middle class,
via MRSB, acted in health legislation formulation, aligning with pharmaceutical industry
promotion and health commodification, while boycotting a truly unified system, conditioning
their SUS support on maintaining private health plans. Thus, they guaranteed dual healthcare
coverage. The fourth chapter denounces institutional omission in collecting and registering race
and color data in SUS instances, impacting health system equity. The analytical findings,
presented in the last three chapters, indicate the existence of material and symbolic deferences
enjoyed by the white middle class. Among the material advantages are: the concentration of
69% of health facilities located in the "territory of whiteness", ensuring convenience and speed
in emergency care; the availability of time for cultural, sports, and leisure practices; the
subversion of institutional norms; the concealment of information without prejudice to care; the
improper appropriation of assistance benefits; the customization of services related to specific
inputs; privileged access to technologies; judicial decisions and social rights linked to
diagnoses; the adoption of consumerist behaviors; plus tax exemptions and reimbursements for
unlimited health expenses. In the symbolic realm, the production of racial hierarchies was
observed through the adoption of institutional language in Aracaju's Health Care Network that
celebrates and exalts white raciality memory. Thus, the thesis contributes to Critical Psychology
by articulating concepts of whiteness and raciality, valuing marginalized knowledge, and
deepening the analysis of the intersection of race and class in a presumably unified system.
Additionally, the research develops a transversal genealogy of socio-racial relations within the
Brazilian context, with emphasis on the Sergipe reality and, to a lesser extent, on the
Pernambuco experience.__________________________________________________________________________________________________________ Adoptando la perspectiva de los de abajo, esta tesis interroga cómo se manifiesta el privilegio blanco en las experiencias heredadas y compartidas por usuarios de la clase media en el contexto del Sistema Único de Salud. La investigación se inscribe en el campo de la Psicología Crítica, comprometida y situada, orientada por una praxis anticapitalista, anticolonialista y antirracista. Se fundamenta en el marxismo y en los estudios críticos de la blanquitud. Se caracteriza como un estudio mixto de enfoque cualitativo y carácter exploratorio, combinando fuentes variadas de análisis: literatura especializada, documentos institucionales, indicadores censales, datos del Ministerio de Salud, acervo iconográfico y autoetnografía multisituada. El primer capítulo presenta una revisión de alcance con 24 manuscritos, evidenciando la laguna de investigaciones centradas en la blanquitud de usuarios. El segundo capítulo historiza la formación de la clase media blanca en Brasil, con énfasis en el "milagro económico" durante el régimen militar, período de masificación de privilegios a cambio de apoyo ideológico. El tercer capítulo tensiona la narrativa hegemónica del Movimiento de Reforma Sanitaria Brasileña (MRSB) de construcción del SUS "desde la base", argumentando, contrariamente, que el SUS resultó de un pacto elitista liderado por intelectuales y técnicos mayoritariamente blancos, adeptos a la matriz eurocomunista del Partido Comunista Brasileño, que habían abandonado un horizonte emancipatorio. El alejamiento de los segmentos vulnerabilizados generó una crisis de legitimidad en el MRSB, designada como el "fantasma de la clase [raza] ausente" por algunos líderes. Heredera de la política inmigrantista, la clase media blanca, vía MRSB, actuó en la formulación de la legislación sanitaria, alineándose al fomento de la industria farmacéutica y a la mercantilización de la salud, además de boicotear un sistema verdaderamente único, condicionando su apoyo al SUS al mantenimiento de convenios privados. De esta forma, garantizó doble cobertura asistencial. El cuarto capítulo denuncia la omisión institucional en la recolección y registro del ítem raza/color en las instancias del SUS, impactando la equidad del sistema de salud. Los resultados analíticos, presentados en los tres últimos capítulos, señalan la existencia de deferencias materiales y simbólicas de las que se beneficia la clase media blanca. Entre las ventajas materiales se destacan: la concentración del 69% de los establecimientos de salud ubicados en el "territorio de blanquitud", asegurando comodidad y rapidez en las atenciones de emergencia; la disponibilidad de tiempo para prácticas culturales, deportivas y de ocio; la subversión de normas institucionales; la ocultación de información sin perjuicio de la asistencia; la apropiación indebida de beneficios asistenciales; la personalización de servicios relacionados con insumos específicos; el acceso privilegiado a tecnologías; las decisiones judiciales y derechos sociales vinculados a diagnósticos; la adopción de conductas consumistas; además de exenciones fiscales y reembolsos con gastos ilimitados de salud. En el ámbito simbólico, se constató la producción de jerarquías raciales por medio de la adopción de un lenguaje institucional en la Red de Atención a la Salud de Aracaju que celebra y enaltece la memoria de la racialidad blanca. De esta forma, la tesis aporta a la Psicología Crítica la articulación de los conceptos de blanquitud y racialidad, la valorización de saberes marginalizados y la profundización del análisis de la intersección raza-clase en un sistema presumiblemente único. Adicionalmente, la investigación desarrolla una genealogía transversal de las relaciones sociorraciales en el contexto brasileño, con énfasis en la realidad sergipana y, en menor escala, en la experiencia pernambucana. |
| Keywords: | Psicologia Privilégio (Psicologia social) Classe média Brancos Branquitude Sistema Único de Saúde (SUS) Privilégio branco Classe média branca Branquitude Psicologia crítica Unified Health System White privilege White middle class Whiteness Critical psychology Sistema Único de Salud Privilegio blanco Clase media blanca Blanquitud Psicología crítica |
| Subject CNPQ: | CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA |
| Language: | por |
| Institution: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Program Affiliation: | Pós-Graduação em Psicologia |
| Citation: | ALMEIDA, Rosely Anacleto de Jesus Morais de. Dimensões do privilégio branco no SUS: a experiência da classe média. 2025. 261 f. Tese (Doutorado em Psicologia) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2025. |
| URI: | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/24402 |
| Appears in Collections: | Doutorado em Psicologia |
Files in This Item:
| File | Description | Size | Format | |
|---|---|---|---|---|
| ROSELY_ANACLETO_JESUS_MORAIS_ALMEIDA.pdf | 3,64 MB | Adobe PDF | ![]() View/Open |
Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.
