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https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/24420| Document Type: | Tese |
| Title: | Entre a persistência e a recriação: mulheres de axé e suas práticas educadoras na região da Grande Aracaju/SE |
| Authors: | Mesquista, Roseane Santos |
| Issue Date: | 26-Aug-2025 |
| Advisor: | Lucini, Marizete |
| Resumo : | É com profundo respeito e senso de responsabilidade ancestral que me apresento nessa tese. Faço-o não apenas como uma discente em educação, mas a partir da totalidade do meu ser: como mulher negra, mãe e Ialorixá. Esta tese é, portanto, um ato de insurgência epistêmica, uma vez que nasce de um corpo-território que historicamente foi relegado à condição de objeto de estudo, e raramente reconhecido como sujeito produtor de ciência. Ao assumir meu lugar de fala, esta pesquisa desafia deliberadamente a hegemonia da branquitude e a suposta neutralidade que por séculos silenciaram saberes outros dentro da academia. Este trabalho é a prova viva de que a ciência pode e deve ser forjada a partir de nossas existências, transformando o que era margem em centro, e o que era silêncio em conhecimento potente e validado. É a partir deste lugar, que foge ao contexto hegemônico, que proponho um diálogo rigoroso e profundo sobre as práticas educativas que emanam das mulheres de axé, afirmando a encruzilhada como um espaço legítimo de produção de conhecimento. Esta tese posiciona-se como uma investigação que se rebela de maneira singular no campo da Ciência da Educação, ao analisar a pluralidade social e cultural da educação dinamizada por mulheres de axé em suas comunidades de terreiro na grande Aracaju/SE. Como protagonistas da investigação, as mulheres de axé, são reconhecidas como intelectuais e professoras de uma educação antirracista que floresce à margem dos sistemas formais de ensino dentro dos terreiros de candomblé na região da grande Aracaju/SE. O trabalho parte da constatação de que a história e a estrutura social brasileira, marcadas por mais de 500 anos de um projeto de dominação patriarcal e racista, impuseram um modelo hegemônico de controle que normatizou a vida e os saberes. Em contraposição a esse projeto civilizatório, a investigação aprofunda-se nos interstícios sociais e culturais onde se forjaram e ainda se fortalecem nesses espaços de resistência ressignificados pela cultura religiosa do candomblé afrobrasileiro. Nesses territórios, a continuidade da existência de grupos sociais subalternizados é garantida por meio de práticas educativas próprias, decolonizadas e fundamentadas em outras epistemologias. Esta pesquisa demonstra que a educação praticada nos terreiros transcende o modelo escolar tradicional, constituindo-se a partir das realidades, das memórias individuais e coletivas e da partilha de saberes, conforme preconiza Walsh (2017) sobre a necessidade de práticas pedagógicas decoloniais. Metodologicamente, a tese firma-se na abordagem qualitativa em educação e adota a oralitura, na esteira de Martins (2021), como o método central para a coleta e análise das narrativas. Por meio de entrevistas semiestruturadas, as vozes e as histórias de vida das mulheres de axé revelam a essência de uma pedagogia ancestral. Os resultados apontam que a educação por elas praticada é um ato político de combate à discriminação social, racial e ao racismo religioso. Conclui-se que essa educação ancestral, subsidiada por saberes transmitidos entre gerações e dinamizados pelas experiências de vida, não apenas preserva uma identidade cultural, mas também institui uma perspectiva de equidade e dignidade nas relações humanas. Desta forma, a tese oferece uma contribuição ímpar ao campo científico, ao validar e enaltecer a potência dos terreiros como espaços de produção de conhecimento e de formação de sujeitos críticos e conscientes de sua história e de seu poder de transformação. |
| Abstract: | It is with profound respect and a sense of ancestral responsibility that I present myself in this
thesis. I do so not only as a student of education, but from the totality of my being: as a Black
woman, a mother, and an Ialorixá. This thesis is, therefore, an act of epistemic insurgency, as
it emerges from a body-territory that has historically been relegated to the condition of an object
of study and rarely recognized as a subject capable of producing science. By claiming my place
of speech, this research deliberately challenges the hegemony of whiteness and the supposed
neutrality that for centuries has silenced other forms of knowledge within academia. This work
is living proof that science can and must be forged from our existences, transforming what was
once the margin into the center, and what was once silence into powerful and validated
knowledge.It is from this place, which escapes the hegemonic context, that I propose a rigorous
and profound dialogue about the educational practices that emanate from the women of axé,
affirming the crossroads as a legitimate space for the production of knowledge. This thesis
positions itself as an investigation that rebels in a singular way within the field of the Science
of Education, by analyzing the social and cultural plurality of education as dynamized by
women of axé in their terreiro communities in the greater Aracaju/SE region. As protagonists
of the investigation, the women of axé are recognized as intellectuals and teachers of an
antiracist education that flourishes at the margins of formal educational systems within
candomblé terreiros in the greater Aracaju/SE region. The work begins with the understanding
that Brazilian history and social structure, marked by more than 500 years of a patriarchal and
racist project of domination, imposed a hegemonic model of control that normalized life and
knowledge. In opposition to this civilizational project, the investigation delves into the social
and cultural interstices in which forms of resistance were forged and continue to be strengthened
in these spaces re-signified by the Afro-Brazilian candomblé religious culture. In these
territories, the continuity of the existence of subalternized social groups is ensured through their
own educational practices, decolonized and grounded in other epistemologies.This research
demonstrates that the education practiced in the terreiros transcends the traditional school
model, constituting itself from the realities, the individual and collective memories, and the
sharing of knowledge, as Walsh (2017) advocates regarding the need for decolonial pedagogical
practices. Methodologically, the thesis is grounded in a qualitative approach in education and
adopts oraliture, following Martins (2021), as the central method for collecting and analyzing
the narratives. Through semi-structured interviews, the voices and life stories of the women of
axé reveal the essence of an ancestral pedagogy. The results indicate that the education they
practice is a political act of combating social and racial discrimination and religious racism. It
is concluded that this ancestral education, supported by knowledge transmitted across
generations and dynamized by lived experience, not only preserves a cultural identity but also
establishes a perspective of equity and dignity in human relations. In this way, the thesis offers
a unique contribution to the scientific field by validating and exalting the power of the terreiros
as spaces of knowledge production and the formation of subjects who are critical and conscious
of their history and of their power to transform it. Es con profundo respeto y con un sentido de responsabilidad ancestral que me presento en esta tesis. Lo hago no solo como una estudiante de educación, sino desde la totalidad de mi ser: como mujer negra, madre e Ialorixá. Esta tesis es, por lo tanto, un acto de insurgencia epistémica, ya que nace de un cuerpo-territorio que históricamente fue relegado a la condición de objeto de estudio y rara vez reconocido como sujeto productor de ciencia. Al asumir mi lugar de habla, esta investigación desafía deliberadamente la hegemonía de la blanquitud y la supuesta neutralidad que durante siglos silenciaron otros saberes dentro de la academia. Este trabajo es la prueba viva de que la ciencia puede y debe forjarse a partir de nuestras existencias, transformando lo que era margen en centro, y lo que era silencio en conocimiento potente y validado. Es desde este lugar, que se aparta del contexto hegemónico, que propongo un diálogo riguroso y profundo sobre las prácticas educativas que emanan de las mujeres de axé, afirmando la encrucijada como un espacio legítimo de producción de conocimiento. Esta tesis se posiciona como una investigación que se rebela de manera singular en el campo de la Ciencia de la Educación, al analizar la pluralidad social y cultural de la educación dinamizada por mujeres de axé en sus comunidades de terreiro en la gran Aracaju/SE. Como protagonistas de la investigación, las mujeres de axé son reconocidas como intelectuales y maestras de una educación antirracista que florece al margen de los sistemas formales de enseñanza dentro de los terreiros de candomblé en la región de la gran Aracaju/SE. El trabajo parte de la constatación de que la historia y la estructura social brasileña, marcadas por más de 500 años de un proyecto de dominación patriarcal y racista, impusieron un modelo hegemónico de control que normativizó la vida y los saberes. En contraposición a ese proyecto civilizatorio, la investigación se profundiza en los intersticios sociales y culturales donde se forjaron y aún se fortalecen estos espacios de resistencia resignificados por la cultura religiosa del candomblé afrobrasileño. En estos territorios, la continuidad de la existencia de grupos sociales subalternizados se garantiza mediante prácticas educativas propias, decolonizadas y fundamentadas en otras epistemologías. Esta investigación demuestra que la educación practicada en los terreiros trasciende el modelo escolar tradicional, constituyéndose a partir de las realidades, de las memorias individuales y colectivas y del intercambio de saberes, conforme plantea Walsh (2017) sobre la necesidad de prácticas pedagógicas decoloniales. Metodológicamente, la tesis se fundamenta en el enfoque cualitativo en educación y adopta la oralitura, en la línea de Martins (2021), como método central para la recolección y el análisis de las narrativas.A través de entrevistas semiestructuradas, las voces y las historias de vida de las mujeres de axé revelan la esencia de una pedagogía ancestral. Los resultados señalan que la educación practicada por ellas es un acto político de combate a la discriminación social, racial y al racismo religioso. Se concluye que esa educación ancestral, sustentada por saberes transmitidos entre generaciones y dinamizados por las experiencias de vida, no solo preserva una identidad cultural, sino que también establece una perspectiva de equidad y dignidad en las relaciones humanas. De esta forma, la tesis ofrece una contribución única al campo científico, al validar y enaltecer la potencia de los terreiros como espacios de producción de conocimiento y de formación de sujetos críticos y conscientes de su historia y de su poder de transformación. |
| Keywords: | Educação Mulheres de Axé Terreiro de Candomblé Ancestralidade Feminismo Education Women of Axé Ancestrality Feminism Mujeres de Axé Educación Ancestralidad |
| Subject CNPQ: | CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO |
| Sponsorship: | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES |
| Language: | por |
| Institution: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Program Affiliation: | Pós-Graduação em Educação |
| Citation: | MESQUITA, Roseane Santos. Entre a persistência e a recriação: mulheres de axé e suas práticas educadoras na região da Grande Aracaju/SE. 2025. 164 f. Tese (Doutorado em Educação) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2025. |
| URI: | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/24420 |
| Appears in Collections: | Doutorado em Educação |
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