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https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25327| Tipo de Documento: | Tese |
| Título : | Profissão e gênero: os desafios de mulheres em carreiras contranormativas |
| Otros títulos : | Profession and gender: the challenges of women in counter-normative careers |
| Autor : | Santos, Erica Karine Santana |
| Fecha de publicación : | 23-feb-2026 |
| Director(a): | Cerqueira-Santos, Elder |
| Resumen: | O mundo do trabalho é organizado de acordo com uma série de princípios, dentre eles está o princípio de gênero. As relações de gênero ancoradas no machismo e no sexismo continuam sendo muito presentes em nossa sociedade. Essas relações, construídas ao longo da história, definem quais papéis sociais são atribuídos a homens e mulheres. As construções sociais acerca de papéis de gênero contribuem para o desenvolvimento de crenças sobre as profissões, o que leva a uma ideia de que existem “profissões femininas” e “profissões masculinas”, e que são necessárias características e habilidades próprias de cada gênero para a execução de determinadas tarefas. Houve um aumento na inserção de mulheres nas profissões ainda consideradas hegemonicamente masculinas, mas esses avanços ainda vão de encontro a concepções sexistas presentes no mundo acadêmico e profissional. Diante desse pressuposto, desenvolveu-se a presente tese de doutorado que tem como objetivo geral compreender os desafios encontrados por mulheres que optaram por seguir carreiras contranormativas, desde o seu ingresso no ambiente acadêmico até a inserção no mercado de trabalho. Para viabilizar essa proposta, foram realizados cinco estudos, que estruturam a tese em 5 capítulos. O Capítulo 1 trata-se de uma Revisão Sistemática da Literatura que buscou analisar a produção científica acerca da inserção de mulheres em contextos acadêmicos e profissionais contranormativos. Seus resultados apontam que existem entraves relacionados à entrada e permanência, por parte das mulheres, em espaços masculinizados. Apesar da inserção em carreiras contranormativas tender ao crescimento, os estereótipos e papéis de gênero ainda assumem local de destaque nas decisões voltadas ao mundo do trabalho. O Capítulo 2 trata-se de um estudo teórico que teve como objetivo discutir o sexismo na educação superior, com ênfase nas experiências vividas por mulheres estudantes e professoras em diferentes áreas do conhecimento. As experiências das estudantes universitárias são marcadas por descrédito intelectual, assédio e necessidade constante de provar competência; as professoras, por sua vez, enfrentam barreiras relacionadas à credibilidade, à maternidade e à ascensão na carreira científica. O sexismo na educação superior é um fenômeno persistente e multifacetado, que se apresenta tanto em ações explícitas quanto em práticas simbólicas e institucionais. O Capítulo 3 apresenta um estudo empírico, de caráter exploratório e transversal, cujo objetivo foi investigar a representatividade feminina em cursos hegemonicamente associados ao masculino na Universidade Federal de Sergipe (UFS), bem como analisar as crenças das estudantes acerca de suas trajetórias profissionais em função do gênero. Entre os instrumentos utilizados, destaca-se o Inventário de Crenças de Carreira e Empregabilidade (ICEB), que avalia um conjunto de crenças relacionadas às atitudes e aos comportamentos do indivíduo em relação a si próprio, ao trabalho e ao posicionamento frente às mudanças na carreira. Entre os fatores que compõem a escala, o fator Otimismo apresentou a menor média. Esse fator contempla aspectos relacionados à capacidade de lidar com erros e com possíveis dificuldades ao longo do percurso profissional. A baixa pontuação nesse fator pode estar associada ao fato de que mulheres inseridas em cursos majoritariamente masculinos tendem a enfrentar obstáculos e desafios específicos que não são vivenciados, na mesma medida, por seus colegas homens. O Capítulo 4 também corresponde a um estudo empírico, de caráter exploratório e transversal, cujo objetivo foi comparar a realidade de mulheres ingressantes em cursos hegemonicamente masculinos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) com os dados obtidos no estudo anterior. Os resultados indicaram, novamente, menor média no fator Otimismo. Em contrapartida, a maior média foi observada no fator Autonomia, o que pode estar relacionado à necessidade de que mulheres nesses contextos desenvolvam maior senso de autoeficácia e independência como estratégia para legitimar sua competência em espaços historicamente masculinizados. O Capítulo 5 trata-se de um estudo qualitativo de caráter exploratório e transversal, que teve como objetivo analisar os desafios e obstáculos vivenciados por mulheres para a inserção no mercado de trabalho e consolidação de suas carreiras em contextos profissionais contranormativos. Os resultados evidenciam que as trajetórias profissionais são atravessadas por múltiplos marcadores estruturais e relacionais. Destacam-se a sub-representação feminina, a necessidade constante de comprovação de competência, experiências de preconceito explícito e velado, bem como desafios relacionados à ascensão profissional e ao reconhecimento institucional. De forma integrada, a tese evidencia que as desigualdades de gênero em carreiras contranormativas constituem fenômeno estrutural, produzido ao longo das trajetórias formativas e profissionais e sustentado por mecanismos institucionais, simbólicos e relacionais que limitam o acesso, a permanência e o reconhecimento das mulheres. Ao articular evidências teóricas e empíricas, o estudo amplia a compreensão sobre a contranormatividade de gênero no ensino superior e oferece subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas e estratégias institucionais voltadas à promoção da equidade de gênero na ciência e no trabalho, contribuindo para a construção de contextos acadêmicos e profissionais mais justos e inclusivos. |
| Resumen : | The world of work is organized according to a series of principles, among them the principle of gender. Gender relations anchored in machismo and sexism continue to be very present in our society. These relations, constructed throughout history, define which social roles are assigned to men and women. Social constructions about gender roles contribute to the development of beliefs about professions, leading to the idea that there are "feminine professions" and "masculine professions," and that characteristics and skills specific to each gender are necessary for the execution of certain tasks. There has been an increase in the inclusion of women in professions still considered predominantly male, but these advances still clash with sexist conceptions present in the academic and professional world. Based on this premise, this doctoral thesis was developed with the general objective of understanding the challenges faced by women who have chosen to pursue counter-normative careers, from their entry into academia to their insertion into the job market. To make this proposal feasible, five studies were conducted, structuring the thesis into 5 chapters. Chapter 1 is a Systematic Literature Review that sought to analyze the scientific production regarding the inclusion of women in counternormative academic and professional contexts. Its results indicate that there are obstacles related to women's entry and permanence in masculinized spaces. Despite the growing trend of inclusion in counter-normative careers, stereotypes and gender roles still occupy a prominent place in decisions related to the world of work. Chapter 2 is a theoretical study that aimed to discuss sexism in higher education, with an emphasis on the experiences of female students and professors in different fields of knowledge. The experiences of female university students are marked by intellectual discrediting, harassment, and a constant need to prove competence; female professors, in turn, face barriers related to credibility, motherhood, and career advancement in science. Sexism in higher education is a persistent and multifaceted phenomenon, manifesting itself in both explicit actions and symbolic and institutional practices. Chapter 3 presents an empirical, exploratory, and cross-sectional study that aimed to investigate female representation in courses predominantly associated with men at the Federal University of Sergipe (UFS), as well as to analyze female students' beliefs about their professional trajectories in relation to gender. Among the instruments used, the Career and Employability Beliefs Inventory (ICEB) stands out. This inventory assesses a set of beliefs related to an individual's attitudes and behaviors towards themselves, their work, and their positioning in relation to career changes. Among the factors that make up the scale, the Optimism factor presented the lowest average. This factor encompasses aspects related to the ability to deal with errors and potential difficulties throughout one's professional path. The low score on this factor may be associated with the fact that women enrolled in predominantly male courses tend to face specific obstacles and challenges that are not experienced to the same extent by their male colleagues. Chapter 4 also corresponds to an empirical, exploratory, and cross-sectional study, whose objective was to compare the reality of women entering predominantly male courses at the Federal University of Sergipe (UFS) with the data obtained in the previous study. The results again indicated a lower average in the Optimism factor. In contrast, the highest average was observed in the Autonomy factor, which may be related to the need for women in these contexts to develop a greater sense of self-efficacy and independence as a strategy to legitimize their competence in historically masculinized spaces. Chapter 5 is a qualitative, exploratory, and cross-sectional study that aimed to analyze the challenges and obstacles faced by women in entering the labor market and consolidating their careers in counter-normative professional contexts. The results show that professional trajectories are traversed by multiple structural and relational markers. Key factors include female underrepresentation, the constant need to prove competence, experiences of explicit and veiled prejudice, as well as challenges related to professional advancement and institutional recognition. In an integrated manner, the thesis demonstrates that gender inequalities in counter-normative careers constitute a structural phenomenon, produced throughout formative and professional trajectories and sustained by institutional, symbolic, and relational mechanisms that limit women's access, retention, and recognition. By articulating theoretical and empirical evidence, the study broadens the understanding of gender counter-normativity in higher education and offers support for the development of public policies and institutional strategies aimed at promoting gender equity in science and work, contributing to the construction of fairer and more inclusive academic and professional contexts. |
| Palabras clave : | Psicologia Gênero Mulheres Profissões Mulheres nas profissões Carreira Contranormatividade Women Gender Profession Career Counter-normativity |
| Área CNPQ: | CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA |
| Patrocinio: | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES |
| Idioma : | por |
| Institución: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Programa de Posgrado: | Pós-Graduação em Psicologia |
| Citación : | SANTOS, Erica Karine Santana. Profissão e gênero: os desafios de mulheres em carreiras contranormativas. 2026. 213 f. Tese (Doutorado em Psicologia) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026. |
| URI : | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25327 |
| Aparece en las colecciones: | Doutorado em Psicologia |
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