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https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/26045| Document Type: | Dissertação |
| Title: | Caracterização clínica, comportamental, sensorial e eletrofisiológica de crianças e adolescentes com dor reumatológica crônica: estudo transversal comparativo |
| Authors: | Silva, Tauane Grasiela dos Santos |
| Issue Date: | 3-Aug-2026 |
| Advisor: | Santana, Josimari Melo de |
| Resumo : | As condições reumatológicas compreendem um grupo diverso de doenças que acometem predominantemente as articulações, mas também músculos, ossos, tecidos conjuntivos e órgãos internos, decorrentes de mecanismos imunomediados, inflamatórios, infecciosos ou degenerativos, de curso prolongado, dolorosas e limitantes da função, e que acometem também crianças e adolescentes. Entre as condições reumatológicas pediátricas, destacam-se a artrite idiopática juvenil (AIJ), de natureza inflamatória e autoimune, e a síndrome da fibromialgia juvenil (SFJ), de natureza não inflamatória e associada a mecanismos de sensibilização central, podendo cursar com disfunção cognitiva, autonômica e sensorial. Nesse contexto, a eletroencefalografia (EEG) destaca-se como ferramenta que permite caracterizar objetivamente os processos neurológicos subjacentes à dor crônica pediátrica. Entretanto, ainda são escassos os estudos que investigam detalhadamente os mecanismos fisiológicos envolvidos na SFJ e na AIJ. Objetivo: Caracterizar o perfil clínico, comportamental, sensorial e eletrofisiológico de crianças e adolescentes com dor reumatológica crônica, decorrente de síndrome da fibromialgia juvenil ou de artrite idiopática juvenil, em comparação a um grupo controle de indivíduos saudáveis pareados por sexo e faixa etária. Material e métodos: Trata-se de um estudo observacional transversal analítico, que incluiu crianças e adolescentes, de ambos os sexos, com idade entre 7 e 18 anos, alocados em dois grupos: grupo dor (SFJ e AIJ) e grupo controle. Os grupos foram avaliados através de questionários socioeconômicos, intensidade de dor (escala numérica de 11 pontos), limiar mecânico de detecção (estesiometria), perfil eletrofisiológico (eletroencefalograma) e perfil cognitivo (potencial relacionado a evento no componente auditivo P300). Resultados: A amostra foi formada por 54 participantes, sendo 27 no grupo dor e 27 no grupo controle, estratificados em crianças e adolescentes, sendo 24 crianças e 30 adolescentes. Observou-se atraso no diagnóstico médio de 21,3 meses nas crianças e 50,7 meses nos adolescentes. As crianças do grupo dor apresentaram hipersensibilidade mecânica generalizada ao toque leve em sítio distante da articulação afetada (p=0,004; d=−1,297), e os adolescentes do grupo dor apresentaram maior sensibilidade dolorosa à pressão mecânica (p=0,013 e p=0,045) e maior intensidade de dor autorreferida (p=0,001) em relação aos controles. Não foram identificadas diferenças eletroencefalográficas intergrupos na condição de repouso. Durante o paradigma P300, os adolescentes do grupo dor apresentaram maior amplitude relativa na banda theta e menor amplitude relativa na banda beta3 nas regiões anterior e posterior direitas em comparação aos controles (p<0,05; d entre 0,94 e 1,41), achado significativo pelo critério primário não corrigido adotado neste estudo exploratório; na análise de sensibilidade por Benjamini-Hochberg, restrita às variáveis de amplitude relativa e aplicada por subgrupo etário dentro de cada condição experimental (m=24), a potência theta posterior direita manteve-se significativa (q=0,015). Nas crianças, observou-se padrão diferenciado de amplitude relativa posterior direita durante exposição a telas educativas e recreativas. O contraste topográfico de dor entre os diagnósticos mostrou-se estatisticamente significativo para costas, pernas e cefaleia, mais frequentes na SFJ (p-FDR<0,01). Conclusão: Em resposta ao objetivo geral, o perfil eletrofisiológico das crianças e adolescentes com SFJ e AIJ, comparados a controles saudáveis, caracterizou-se pela ausência de diferenças eletroencefalográficas em repouso e por alterações específicas sob demanda cognitiva e sensorial ativa. Crianças e adolescentes com SFJ e AIJ apresentam alteração sensorial mensurável e eletrofisiológicas específicas durante condições de demanda cognitiva e sensorial ativa, ainda que não generalizadas ao estado de repouso, compatíveis com estágios iniciais de sensibilização central e de interferência cognitiva pela dor. Os achados reforçam a relevância do diagnóstico precoce como possível janela terapêutica e apontam para a necessidade de estudos longitudinais que investiguem a progressão dessas alterações ao longo do desenvolvimento. |
| Abstract: | Rheumatic conditions comprise a diverse group of diseases that predominantly affect the joints, but also muscles, bones, connective tissues, and internal organs, arising from immune-mediated, inflammatory, infectious, or degenerative mechanisms, characterized by a prolonged, painful, and function-limiting course, and which also affect children and adolescents. Among pediatric rheumatic conditions, juvenile idiopathic arthritis (JIA), of inflammatory and autoimmune nature, and juvenile fibromyalgia syndrome (JFS), of non-inflammatory nature and associated with central sensitization mechanisms, potentially involving cognitive, autonomic, and sensory dysfunction, stand out. In this context, electroencephalography (EEG) stands out as a tool for objectively characterizing the neurological processes underlying pediatric chronic pain. However, studies detailing the physiological mechanisms involved in JFS and JIA remain scarce. Objective: To characterize the clinical, behavioral, sensory, and electrophysiological profile of children and adolescents with chronic rheumatic pain resulting from juvenile fibromyalgia syndrome or juvenile idiopathic arthritis, compared with a healthy control group matched by sex and age range. Materials and Methods: This was an analytical, observational, cross-sectional study including children and adolescents of both sexes, aged 7 to 18 years, allocated into two groups: a pain group (JFS and JIA) and a control group. The groups were assessed using socioeconomic questionnaires, pain intensity (11-point numerical rating scale), mechanical detection threshold (esthesiometry), electrophysiological profile (electroencephalogram), and cognitive profile (auditory P300 event-related potential). Results: The sample consisted of 54 participants, 27 in the pain group and 27 in the control group, stratified into children and adolescents (24 children and 30 adolescents). A mean diagnostic delay of 21.3 months was observed in children and 50.7 months in adolescents. Children in the pain group showed generalized mechanical hypersensitivity to light touch at a site distant from the affected joint (p=0.004; d=−1.297), and adolescents in the pain group showed greater pain sensitivity to mechanical pressure (p=0.013 and p=0.045) and greater self-reported pain intensity (p=0.001) compared with controls. No intergroup EEG differences were identified under the resting-state condition. During the P300 paradigm, adolescents in the pain group showed greater relative amplitude in the theta band and lower relative amplitude in the beta3 band in the right anterior and posterior regions compared with controls (p<0.05; d ranging from 0.94 to 1.41), a finding significant under the uncorrected primary criterion adopted in this exploratory study; in a Benjamini-Hochberg sensitivity analysis restricted to relative-amplitude variables and applied per age subgroup within each experimental condition (m=24), right posterior theta power remained significant (q=0.015). In children, a differentiated pattern of right posterior relative amplitude was observed during exposure to educational and recreational screen conditions. The topographic pain contrast between diagnoses was statistically significant for back pain, leg pain, and headache, all more frequent in JFS (FDR-adjusted p<0.01). Conclusion: In response to the overall objective, the electrophysiological profile of children and adolescents with JFS and JIA, compared with healthy controls, was characterized by the absence of EEG differences at rest and by specific alterations under active cognitive and sensory demand. Children and adolescents with JFS and JIA present measurable sensory alterations and specific electrophysiological changes during conditions of active cognitive and sensory demand, though not generalized to the resting state, consistent with early stages of central sensitization and pain-related cognitive interference. These findings reinforce the relevance of early diagnosis as a possible therapeutic window and point to the need for longitudinal studies investigating the progression of these alterations throughout development. |
| Keywords: | Fibromialgia juvenil Artrite idiopática juvenil Dor crônica Neuroplasticidade EEG Potencial relacionado a eventos Juvenile fibromyalgia Juvenile idiopathic arthritis Chronic pain Neuroplasticity EEG Event-related potential |
| Subject CNPQ: | CIENCIAS BIOLOGICAS::FISIOLOGIA |
| Sponsorship: | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES |
| Language: | por |
| Institution: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Program Affiliation: | Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas |
| Citation: | SILVA, Tauane Grasiela dos Santos. Caracterização clínica, comportamental, sensorial e eletrofisiológica de crianças e adolescentes com dor reumatológica crônica: estudo transversal comparativo. 2026. 110 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Fisiológicas) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026. |
| License: | Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0) |
| URI: | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/26045 |
| Appears in Collections: | Mestrado em Ciências Fisiológicas |
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