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Document Type: Tese
Title: Atopia consumível do patrimônio mundial : Sintra como lugar de consumo cultural
Authors: Feitosa, Allan Rafael Veiga
Issue Date: 21-Feb-2018
Advisor: Leite, Rogério Proença
Resumo : A UNESCO, em 1995, chancelou como Patrimônio Mundial a “Paisagem Cultural de Sintra - PCS” (Portugal), primeiro item no mundo inscrito, de forma direta, nesta categoria. O fez, pontuando as características e elementos singulares daquela espacialidade, especialmente a forte relação, considerada harmoniosa, do homem com o meio, testemunhado em diversos contextos socioculturais, por distintos povos, desde a pré-história até o século XX, comportando um emaranhado de dinâmicas socioculturais que imprimiram sobre Sintra sentidos de misticismo e magia, compondo um todo sociocultural que denominamos de “Aura de Sintra”; parte do alicerce que, no século XIX, fez surgir o romantismo português, representado no “Palácio da Pena”, de estilo arquitetônico singular e original, que, para muitos, influenciou a arquitetura paisagística de parte da Europa. Na interação dos personagens do Romantismo português com Sintra, havia um sentido de compreensão sobre aquela espacialidade que, filosoficamente, remetia a um tópos, num sentido aristotélico, e de “lugar”, de caráter sociológico. Da forma como analisamos o discurso da ONU/UNESCO, tal chancela não deve ser vista como apenas mais um mecanismo de salvaguarda cultural, esta titulação constitui-se como parte das ações que permeiam a missão da entidade; de “promoção da cultura de paz entre os povos”, incumbindo estes patrimônios numa tarefa de ser uma espécie de “testemunho vivo [...] de que nenhuma cultura cresceu de forma isolada, e que a diversidade é uma força, [...] para buscar na nossa diversidade os laços que unem a humanidade.” (UNESCO), extraindo deles uma qualidade patrimonial, por assim dizer, humanitária, visando o contato, num certo estranhamento, do eu visitante com o outro visitado. Embora a proposta comporte um caráter de “recurso humanitário”, embasada em premissas conceituais e filosóficas adjacentes à entidade, a abordagem mercadológica neste tipo de patrimônio é bastante forte e recorrente, valendo-se do prestigio da instituição e pelas características dos itens patrimoniais. Para além dos questionamentos e ruídos sobre um certo “valor excepcional universal”, evidencia-se que o “patrimônio mundial” é, inescapavelmente, mais um “processo de patrimonialização”, sujeito às investidas econômicas já observadas em outros processos. Nesse sentido, entendemos que conquanto os patrimônios da humanidade estejam sendo revestidos, discursivamente, para uma “promoção de cultura de paz”, inclinados sobre um sentido de evidenciar que todos os povos teriam um algo cultural produto de um amalgama da “comunidade humana”, além das particularidades que os afirmam e os delimitam, possibilitando a percepção e compreensão de alteridades, numa espécie de “ética da alteridade” no sentido de Emmanuel Lévinas (2010), essa proposta tem tido seus efeitos discutidos, muito em função do empenho de agentes alistados numa “lógica de consumo”, em bases do “consumo cultural” e do “turismo de massa”, tendendo a esmaecer as diferenças (“negatividades”) culturais que conformam alteridades em direção de um fluxo de “positividade”, permitindo melhor condição para o consumo exótico da “Aura de Sintra”, subtraindo, em boa medida, a experiencia relacional com o que Byung-Chul Han denomina de “imunologia do outro atópico”, i.e., a “negatividade do outro”, configurando Sintra no que entendemos como uma espécie de “lugar do igual”, incluindo num fluxo de “positividade” as “negatividades do outro atópico”, num processo que chamamos de “Atopia consumível do patrimônio mundial”. Sendo a “ética da alteridade” um fundamento observável na “missão” da UNESCO, tem-se como necessário estabelecer uma relação do eu com o outro; uma relação num contexto muito próprio do outro, em que o eu possa, no contato “face-a-face” com o outro, apreendê-lo, dotado de uma postura de busca a relacionar e perceber seu eu com este outro, em termos de alteridade. Assim, discutimos sobre o modo e a medida como as premissas e fundamentos da UNESCO, no âmbito da PCS, têm pertinência e efeito prático, desenvolvendo uma tese que assinala a PCS como um recurso de fundamentação humanitária fortemente disposto ao consumo cultural, com contradições entre os propósitos da entidade e as práticas mercadológicas que prejudicam e desvirtuam conformações de alteridades.
Abstract: In 1995, UNESCO designated the "Cultural Landscape of Sintra-PCS" (Portugal) as World Heritage, the first item in the world to be directly registered in this category. He did it, punctuating the characteristics and singular elements of that spatiality, especially the strong relation, considered harmonious, of the man with the environment, witnessed in diverse sociocultural contexts, by different peoples, from prehistory to the twentieth century, entailing a tangle of socio-cultural dynamics that gave Sintra senses of mysticism and magic, composing a sociocultural whole that we call "Aura of Sintra"; part of the 19th-century foundation of Portuguese Romanticism, represented in the "Pena Palace", a unique and original architectural style that, for many, influenced the landscape architecture of part of Europe. In the interaction of the characters of Portuguese Romanticism with Sintra, there was a sense of understanding about that spatiality that, philosophically, referred to a topos, in an Aristotelian sense, and of "place", of sociological character. As we analyze the discourse of the UN / UNESCO, such a seal should not be seen as just another mechanism of cultural safeguard, this titulación constitutes as part of the actions that permeate the mission of the entity; of "promoting a culture of peace among peoples," entrusting these patrimonies with a task of being a kind of "living testimony ... that no culture has grown in isolation, and that diversity is a force. .] to seek in our diversity the ties that unite humanity. "(UNESCO), drawing from them a patrimonial quality, so to speak, humanitarian, aiming at the contact, in a certain strangeness, of the visitor and the other visited. Although the proposal has a character of "humanitarian resource", based on conceptual and philosophical premises adjacent to the entity, the market approach in this type of equity is quite strong and recurrent, using the prestige of the institution and the characteristics of the patrimonial items. In addition to the questions and noises about a certain "universal universal value", it is evident that the "world patrimony" is, inescapably, a "patrimonialisation process", subject to economic investments already observed in other processes. In this sense, we understand that while the patrimonies of humanity are discursively clad in a "culture of peace promotion", inclined to a sense of showing that all peoples would have something cultural product of an amalgam of "human community" in addition to the particularities that affirm and delimit them, enabling the perception and understanding of otherness, in a kind of "ethics of otherness" in the sense of Emmanuel Lévinas (2010), this proposal has had its effects discussed, much as a function of the commitment of agents in a "consumption logic", on the basis of "cultural consumption" and "mass tourism", tending to blur the cultural differences ("negativities") that conform alterities towards a "positivity" flow, allowing a better condition for the exotic consumption of the "Aura of Sintra", subtracting, to a great extent, the relational experience with what Byung-Chul Han calls " immunology of the other atopic, "ie, the" negativity of the other, "configuring Sintra in what we understand as a sort of" place of equals, "including in a stream of" positivity "the" negativities of the other atopic "in a process we call "Consumable World Heritage Atopy". Since "ethics of otherness" is an observable foundation in the "mission" of UNESCO, it is necessary to establish a relation of the self to the other; a relation in a very specific context of the other, in which the self can, in face-to-face contact with the other, apprehend it, endowed with a search posture to relate and perceive its self with this other, in terms of otherness. Thus, we discuss the way and the extent to which the premises and foundations of UNESCO within the framework of the PCS have relevance and practical effect, developing a thesis that points to the PCS as a resource of humanitarian foundation heavily prepared for cultural consumption, with contradictions between the purposes of the entity and the market practices that harm and detract from the conformation of alterities.
Keywords: Sociologia
Cultura
Patrimônio mundial
Unesco
Sintra (Portugal)
Atopia
Consumo cultural
Subject CNPQ: CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA
Sponsorship: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES
Language: por
Institution: UFS
Program Affiliation: Pós-Graduação em Sociologia
Citation: FEITOSA, Allan Rafael Veiga. Atopia consumível do patrimônio mundial : Sintra como lugar de consumo cultural. 2018. 502 f. Tese (Doutorado em Sociologia) - Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2018.
URI: http://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/11132
Appears in Collections:Doutorado em Sociologia

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