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Tipo de Documento: Monografia
Título: Entre a língua portuguesa e a Libras : linguagem, gênero e práticas pedagógicas no ensino de história
Título(s) alternativo(s): Between portuguese and brazilian sign language : language, gender, and pedagogical practices in history teaching
Autor(es): Santos, Weverlyn Alves dos
Data do documento: 8-Mar-2026
Orientador: Zaluski, Jorge Luiz
Resumo: Este texto analisa as relações entre linguagem, gênero e poder no contexto do ensino de História para estudantes surdos, com ênfase na Língua Brasileira de Sinais (Libras) como língua de produção de conhecimento histórico. Parte-se do pressuposto de que a linguagem não é neutra, mas atua como elemento estruturante das relações sociais, atravessada por disputas simbólicas que produzem normas, exclusões e hierarquias. A partir de uma abordagem teórica fundamentada em autores como Michel Foucault, Judith Butler, Paulo Freire e estudiosos da educação de surdos, o estudo discute como a língua portuguesa, ao impor marcações gramaticais de gênero e centralizar a oralidade e a escrita, pode contribuir para processos de invisibilização, especialmente no que se refere a sujeitos surdos e a identidades dissidentes. Em contraponto, a Libras é analisada como uma língua visual-espacial que apresenta uma organização linguística distinta, marcada pela ausência de flexão gramatical obrigatória de gênero, o que amplia as possibilidades de significação e tensiona normas hegemônicas presentes nas línguas orais. O trabalho também incorpora a perspectiva interseccional para compreender como gênero, surdez e outras dimensões sociais se articulam na produção de experiências específicas de exclusão no espaço educacional. No campo do ensino de História, argumenta-se que a mera tradução de conteúdos para a Libras é insuficiente, sendo necessário reconhecer essa língua como meio legítimo de mediação e construção do conhecimento histórico. Como desdobramento da reflexão teórica, apresenta-se uma proposta didática voltada ao Ensino Médio, que utiliza a análise de imagens históricas e a produção de narrativas em Libras como estratégias pedagógicas e avaliativas. A atividade proposta privilegia a visualidade e a língua de sinais, promovendo o protagonismo dos estudantes surdos e rompendo com modelos avaliativos centrados na escrita em língua portuguesa. Dessa forma, o trabalho contribui para o debate sobre práticas pedagógicas inclusivas, ao evidenciar que o ensino de História, quando articulado à Libras e a uma compreensão crítica da linguagem, pode ampliar o acesso ao conhecimento histórico e favorecer o reconhecimento da diversidade linguística e identitária no ambiente escolar.
Abstract: This text analyzes the relationships between language, gender, and power in the context of History teaching for deaf students, with an emphasis on Brazilian Sign Language (Libras) as a language for the production of historical knowledge. It is based on the assumption that language is not neutral, but rather a structuring element of social relations, permeated by symbolic disputes that produce norms, exclusions, and hierarchies. Grounded in a theoretical framework that includes authors such as Michel Foucault, Judith Butler, Paulo Freire, and scholars in deaf education, the research discusses how the Portuguese language, by imposing grammatical gender markings and privileging orality and writing, may contribute to processes of invisibilization, particularly concerning deaf individuals and dissident gender identities. In contrast, Libras is analyzed as a visual-spatial language with a distinct linguistic organization, characterized by the absence of mandatory grammatical gender inflection, which broadens possibilities of meaning-making and challenges hegemonic norms present in oral languages. The study also incorporates an intersectional perspective to understand how gender, deafness, and other social dimensions intersect in the production of specific experiences of exclusion within educational settings. In the field of History teaching, it is argued that merely translating content into Libras is insufficient, and that recognizing sign language as a legitimate medium for mediating and constructing historical knowledge is essential. As a practical outcome of the theoretical discussion, a didactic proposal for secondary education is presented, focusing on the analysis of historical images and the production of narratives in Libras as pedagogical and assessment strategies. The proposed activity prioritizes visuality and sign language, promotes deaf students’ protagonism, and challenges assessment models centered on written Portuguese. Thus, the study contributes to discussions on inclusive pedagogical practices by demonstrating that History teaching, when articulated with Libras and a critical understanding of language, can expand access to historical knowledge and foster the recognition of linguistic and identity diversity in schools.
Palavras-chave: História
Ensino superior (UFS)
Linguagem
Gênero
Libras
Ensino de história
Educação de surdos
Language
Gender
Brazilian sign language (Libras)
History teaching
Deaf education
área CNPQ: CIENCIAS HUMANAS::HISTORIA
Idioma: por
Sigla da Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Departamento: DHI - Departamento de História – São Cristóvão - Presencial
Citação: Santos, Weverlyn Alves dos. Entre a língua portuguesa e a Libras : linguagem, gênero e práticas pedagógicas no ensino de história. São Cristóvão, 2026. Monografia (licenciatura em História) – Departamento de História, Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE, 2026
URI: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/24907
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