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Tipo de Documento: Dissertação
Título: Efeito gastroprotetor de isoflavonas em modelos experimentais de úlcera gástrica
Título(s) alternativo(s): Gastroprotective effect of isoflavones in experimental models of gastric ulcer
Autor(es): Santos, Gideovania de Jesus
Data do documento: 6-Fev-2026
Orientador: Enilton Aparecido, Camargo
Coorientador: Jéssica Maria Dantas Araújo, Aragão
Resumo: Introdução: As úlceras pépticas afetam uma parcela significativa da população mundial. O tratamento farmacológico é realizado principalmente com inibidores da bomba de prótons e antagonistas H2, que podem causar reações adversas relevantes. São necessárias novas abordagens terapêuticas, dados os efeitos adversos que a terapêutica atual traz aos pacientes, além do elevado número de reincidências da doença. Diante disso, os produtos naturais se destacam como fontes de novas moléculas. Dentre estes produtos, alguns estudos destacam o potencial impacto das isoflavonas em modelos experimentais de lesões gástricas. Objetivos: Avaliar a evidência científica sobre o potencial terapêutico das isoflavonas em modelos pré-clínicos de úlcera gástrica e o efeito gastroprotetor da daidzeína em modelo agudo de úlcera gástrica. Métodos: A revisão sistemática abrangeu estudos obtidos por meio de buscas na Web of Science, na ScienceDirect, no Scopus e no MEDLINE/PubMed, que investigaram os efeitos das isoflavonas, testadas isoladamente, em modelos de úlcera gástrica ou duodenal em animais. O risco de viés foi avaliado com a ferramenta da plataforma SYRCLE. Para o estudo experimental, foram utilizados camundongos machos da linhagem Swiss (25-35 g). A lesão gástrica foi induzida por etanol acidificado (etanol a 60%/HCl a 0,3 M) em animais pré-tratados com Daidzeína (10, 30 e 100 mg/kg, v.o.), veículo (salina + Tween 80 a 2%), ou droga padrão (ranitidina 100 mg/kg, v.o.), 60 minutos antes da indução. O grupo controle (sem úlcera) recebeu água no lugar do etanol acidificado. Após 60 min, foi mensurado o percentual de área relativa de lesão ulcerativa (corrigida pela área total do estômago). Resultados: Foram incluídos 13 estudos, dentre os 3005 identificados com roedores, em modelos de úlcera induzida por etanol, ácido acético, indometacina ou estresse, nos quais as isoflavonas foram testadas isoladamente. Os resultados indicaram benefícios importantes associados à administração de isoflavonas, especialmente como pré-tratamento. A maioria dos estudos demonstrou os efeitos da genisteína e da formononetina, mas também foram encontrados estudos com a daidzeína, osajina, pormiferina e puerarina. Esses estudos associaram os efeitos gastroprotetores dessas isoflavonas principalmente à sua capacidade de reduzir o dano oxidativo e regular positivamente a atividade de enzimas antioxidantes, como superóxido dismutase e catalase, e as concentrações de glutationa reduzida. Outra característica comum observada nos estudos foi a redução da concentração de citocinas pró-inflamatórias, principalmente TNF-α e IL-1β, e da atividade da mieloperoxidase. No estudo experimental, observou-se que o etanol acidificado causou a lesão ulcerativa (p<0,01 vs grupo que recebeu água) e que o prétratamento com ranitidina, mas não com as doses de daidzeína, preveniu a indução das úlceras (p<0,01). Conclusão: A partir da revisão, foi possível concluir que os estudos fornecem evidências de que as isoflavonas desempenham papel protetor contra danos à mucosa gástrica causados por diversos agentes agressores, por produzirem respostas antiinflamatórias e antioxidantes. A literatura apoia a hipótese de que a daidzeína tem efeito gastroprotetor, todavia, seus efeitos foram investigados apenas em doses muito elevadas. Portanto não há relatos sobre a ação da mesma em doses menores, o que não diminui o potencial da classe de isoflavonas como gastroprotetoras.
Abstract: Introduction: Peptic ulcers affect a significant portion of the world's population. Pharmacological treatment is mainly carried out with proton pump inhibitors and H2 antagonists, which can cause significant adverse reactions. New therapeutic approaches are needed, given the adverse effects that current therapy brings to patients, in addition to the high number of disease recurrences. In this context, natural products stand out as sources of new molecules. Among these products, some studies highlight the potential impact of isoflavones in experimental models of gastric lesions. Objectives: To evaluate the scientific evidence on the therapeutic potential of isoflavones in preclinical models of gastric ulcer and the gastroprotective effect of daidzein in an acute model of gastric ulcer. Methods: The systematic review encompassed studies obtained through searches in Web of Science, ScienceDirect, Scopus, and MEDLINE/PubMed, which investigated the effects of isoflavones, tested in isolation, in models of gastric or duodenal ulcer in animals. The risk of bias was assessed using the SYRCLE platform tool. For the experimental study, male Swiss mice (25-35 g) were used. Gastric lesions were induced by acidified ethanol (60% ethanol/0.3 M HCl) in animals pre-treated with Daidzein (10, 30, and 100 mg/kg, p.o.), vehicle (saline + 2% Tween 80), or standard drug (ranitidine 100 mg/kg, p.o.) 60 minutes before induction. The control group (without ulcers) received water instead of acidified ethanol. After 60 min, the percentage of relative ulcerative lesion area (corrected for total stomach area) was measured. Results: Thirteen studies were included out of the 3005 identified with rodents, in models of ulcers induced by ethanol, acetic acid, indomethacin, or stress, in which isoflavones were tested in isolation. The results indicated important benefits associated with the administration of isoflavones, especially as a pretreatment. Most studies demonstrated the effects of genistein and formononetin, but studies with daidzein, osajine, pormiferin, and puerarin were also found. These studies associated the gastroprotective effects of these isoflavones mainly with their ability to reduce oxidative damage and positively regulate the activity of antioxidant enzymes, such as superoxide dismutase and catalase, and reduced glutathione concentrations. Another common characteristic observed in the studies was the reduction in the concentration of pro-inflammatory cytokines, mainly TNF-α and IL-1β, and myeloperoxidase activity. In the experimental study, it was observed that acidified ethanol caused ulcerative lesions (p<0.01 vs. the group that received water) and that pretreatment with ranitidine, but not with daidzein doses, prevented the induction of ulcers (p<0.01). Conclusion: From the review, it was possible to conclude that the studies provide evidence that isoflavones play a protective role against damage to the gastric mucosa caused by various aggressive agents, by producing anti-inflammatory and antioxidant responses. The literature supports the hypothesis that daidzein has a gastroprotective effect; however, its effects have only been investigated at very high doses. Therefore, there are no reports on its action at lower doses, which does not diminish the potential of the isoflavone class as gastroprotective agents.
Palavras-chave: Mucosa gástrica
Úlcera péptica
Fitoestrogênios
Inflamação
Estresse oxidativo
Peptic ulcer
Gastric mucosa
Phytoestrogens
Inflammation
Oxidative stress
área CNPQ: CIENCIAS BIOLOGICAS::FISIOLOGIA
Agência de fomento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES
Idioma: por
Sigla da Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Programa de Pós-graduação: Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas
Citação: SANTOS, Gideovania de Jesus. Efeito gastroprotetor de isoflavonas em modelos experimentais de úlcera gástrica. 2026. 104 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Fisiológicas) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026.
Licença: Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0 Internacional (CC BY-NC-ND 4.0)
URI: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25298
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