Use este identificador para citar ou linkar para este item:
https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25422| Tipo de Documento: | Tese |
| Título: | Terminologia, cognição e acessibilidade em saúde: compreensão dos termos do HPV entre universitárias da Universidade Federal de Sergipe |
| Autor(es): | Araújo, Débora Simões |
| Data do documento: | 11-Fev-2026 |
| Orientador: | Marengo, Sandro Marcío Drumond Alves |
| Resumo: | A infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV) constitui um dos maiores desafios de saúde pública global, sendo o principal agente etiológico do câncer do colo do útero. A Organização Mundial da Saúde reconhece o HPV como uma das infecções sexualmente transmissíveis mais prevalentes do mundo, com impacto direto sobre a saúde feminina. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer aponta a prevenção e a conscientização como estratégias essenciais para reduzir os índices de morbimortalidade. O tema central desta Tese é a compreensão e o uso dos termos HPV, Papanicolau, Lesão precursora, Câncer do colo do útero e Vacina por mulheres cisgênero de 18 a 23 anos, nascidas e residentes em Sergipe, alunas da Universidade Federal de Sergipe na área de Humanidades e usuárias do SUS. O problema de pesquisa questiona como essas participantes conceptualizam e compreendem tais termos e em que medida suas interpretações se aproximam ou se distanciam do saber técnico, revelando graus distintos de acurácia informacional. A hipótese sustenta que, ao migrarem do domínio técnico para o social, esses termos sofrem reinterpretações sociocognitivas, gerando modelos híbridos de compreensão. O objetivo geral é descrever, analisar e discutir as compreensões e usos dos cinco termos, comparando a conceptualização leiga com a técnico-científica. Os objetivos específicos incluem identificar e analisar os Modelos Cognitivos Idealizados e frames que estruturam a compreensão de termos-chave relacionados ao HPV entre mulheres jovens; avaliar a acurácia conceitual das compreensões identificadas, contrastando-as com o conhecimento especializado consolidado; e discutir os resultados e suas implicações para a acessibilidade textual e terminológica em comunicação em saúde. A pesquisa articula três eixos teóricos: (i) a Teoria Sociocognitiva da Terminologia (Temmerman, 2000a, 2000b); (ii) a Lexicologia da Verticalidade (Wichter, 1994); e (iii) a Linguística Cognitiva, com ênfase nos MCIs (Lakoff, 1987) e frames (Fillmore, 2006). Complementarmente, utiliza-se Faber (2009) para discutir categorização prototípica e redes conceituais, bem como Eysenbach et al. (2002) e Paolucci, Pereira Neto e Nadanovsky (2021) para o conceito de acurácia informacional. Metodologicamente, trata-se de pesquisa quanti-qualitativa, de tipo descritivo e transversal, com predominância qualitativa. A vertente quantitativa fornece indicadores de frequência e percentuais de acurácia; a qualitativa interpreta os conteúdos e modelos cognitivos. O corpus técnico é composto pelo Guia Prático sobre o HPV (Brasil, 2014) e pelos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS/BIREME, 2025) e o corpus empírico reúne 11 entrevistas orais. O processamento textual foi feito no software R, utilizando algoritmos de ganho informativo (Quinlan, 1986) e LDA (Grün; Hornik, 2011) para validação semântica. Os resultados evidenciaram um processo de reconfiguração sociocognitiva na migração dos termos. Para o termo HPV, predominaram acurácias Incompleta (54,5%) e Incorreta (45,5%), com modelos híbridos que frequentemente o confundiam com HIV, câncer ou outras ISTs. O termo Papanicolau revelou uma clivagem entre o significante e sua função, com 72,7% de acurácia Incompleta. O termo Lesão precursora apresentou o maior índice de incompreensão, com 63,6% de acurácia Ausente. Para o Câncer do colo do útero, a maioria (63,6%) demonstrou acurácia Incompleta, reconhecendo a doença, mas falhando em estabelecer o elo causal com o HPV, um achado que evidencia o colapso da rede causal na conceptualização leiga. Já o termo Vacina, embora universalmente reconhecido (90,9% de acurácia Incompleta), demonstrou que a familiaridade lexical não equivale à compreensão conceitual de seu mecanismo imunológico, resultando em modelos utilitários e esquemáticos. Ao integrar TST, Lexicologia da Verticalidade e Linguística Cognitiva, esta Tese defende que o significado terminológico é socialmente negociado e experiencialmente ancorado, e que a perda de acurácia informativa nos contextos leigos demanda estratégias de acessibilidade textual e terminológica capazes de promover uma comunicação em saúde mais clara, equitativa e humanizada. Os achados contribuem diretamente para os campos da Terminologia e da Saúde Pública, com potencial aplicação em políticas de saúde e em projetos colaborativos de investigação transnacional. |
| Abstract: | Human Papillomavirus (HPV) infection constitutes one of the major challenges in
global public health and is the primary etiological agent of cervical cancer. The World
Health Organization recognizes HPV as one of the most prevalent sexually transmitted
infections worldwide, with a direct impact on women’s health. In Brazil, the National
Cancer Institute (INCA) identifies prevention and awareness as essential strategies for
reducing morbidity and mortality rates. The central theme of this dissertation is the
understanding and use of the terms HPV, Pap smear, precursor lesion, cervical cancer,
and vaccine by cisgender women aged 18 to 23, born and residing in Sergipe, enrolled
in Humanities programs at the Federal University of Sergipe, and users of the Brazilian
Unified Health System (SUS). The research problem investigates how these
participants conceptualize and comprehend such terms, and to what extent their
interpretations converge with or diverge from specialized knowledge, thereby revealing
distinct degrees of informational accuracy. The hypothesis posits that, as these terms
migrate from the technical domain to the social sphere, they undergo sociocognitive
reinterpretations, generating hybrid models of understanding. The general objective is
to describe, analyze, and discuss the ways in which the five selected terms are
understood and used, comparing lay conceptualizations with technical-scientific
structures. The specific objectives include identifying and analyzing the Idealized
Cognitive Models and frames that structure the understanding of key terms related to
HPV among young women; assessing the conceptual accuracy of the identified
understandings, contrasting them with consolidated specialized knowledge; and
discussing the results and their implications for textual and terminological accessibility
in health communication. This research integrates three theoretical frameworks: (i)
Sociocognitive Terminology Theory (Temmerman, 2000a, 2000b); (ii) Lexicology of
Verticality (Wichter, 1994); and (iii) Cognitive Linguistics, emphasizing ICMs (Lakoff,
1987) and frames (Fillmore, 2006). Additionally, Faber (2009) is employed to discuss
prototypical categorization and conceptual networks, while Eysenbach et al. (2002)
and Paolucci, Pereira Neto and Nadanovsky (2021) provide the theoretical foundation
for the concept of informational accuracy. Methodologically, this is a quantitativequalitative, descriptive, and cross-sectional study, with a predominantly qualitative
orientation. The quantitative dimension provides frequency indicators and accuracy
percentages, whereas the qualitative dimension interprets the conceptual content and
cognitive models underlying the responses. The technical corpus comprises the HPV
Practical Guide (Brazil, 2014) and the Health Sciences Descriptors (DeCS/BIREME,
2025), while the empirical corpus consists of eleven recorded and transcribed oral
interviews. Textual processing was conducted using the R software, employing
information gain algorithms (Quinlan, 1986) and Latent Dirichlet Allocation (LDA)
(Grün; Hornik, 2011) for semantic validation. The results revealed a process of
sociocognitive reconfiguration in the migration of terms. For the term HPV, Incomplete
(54.5%) and Incorrect (45.5%) accuracy predominated, with hybrid models that
frequently confused it with HIV, cancer, or other STIs. The term Pap smear revealed a
cleavage between the signifier and its function, with 72,7% Incomplete accuracy. The
term Precursor lesion showed the highest rate of misunderstanding, with 63.6% Absent
accuracy. For Cervical cancer, the majority (63,6%) demonstrated Incomplete
accuracy, recognizing the disease but failing to establish the causal link with HPV, a
finding that highlights the collapse of the causal network in lay conceptualization. The
term Vaccine, although universally recognized (90.9% Incomplete accuracy),
demonstrated that lexical familiarity does not equate to conceptual understanding of
its immunological mechanism, resulting in utilitarian and schematic models. By
integrating Sociocognitive Terminology Theory, Lexicology of Verticality, and Cognitive
Linguistics, this dissertation argues that terminological meaning is socially negotiated
and experientially anchored, and that the loss of informational accuracy in lay contexts
calls for textual and terminological accessibility strategies capable of promoting
clearer, more equitable, and humanized health communication. The findings contribute
directly to the fields of Terminology, by empirically validating the postulates of SCT,
and Public Health, by offering a precise diagnosis of communicative failures and an
analytical model for terminological mediation, with potential application in health
policies and collaborative transnational research projects. La infección por el Virus del Papiloma Humano (VPH) constituye uno de los mayores desafíos de salud pública global, siendo el principal agente etiológico del cáncer de cuello uterino. La Organización Mundial de la Salud reconoce el VPH como una de las infecciones de transmisión sexual más prevalentes del mundo, con impacto directo sobre la salud femenina. En Brasil, el Instituto Nacional del Cáncer señala la prevención y la concientización como estrategias esenciales para reducir los índices de morbimortalidad. El tema central de esta Tesis es la comprensión y el uso de los términos VPH, Papanicolaou, Lesión precursora, Cáncer de cuello uterino y Vacuna por mujeres cisgénero de 18 a 23 años, nacidas y residentes en Sergipe, alumnas de la Universidad Federal de Sergipe en el área de Humanidades y usuarias del SUS. El problema de investigación cuestiona cómo estas participantes conceptualizan y comprenden dichos términos y en qué medida sus interpretaciones se aproximan o se distancian del saber técnico, revelando grados distintos de precisión informacional. La hipótesis sostiene que, al migrar del dominio técnico al social, estos términos sufren reinterpretaciones sociocognitivas, generando modelos híbridos de comprensión. El objetivo general es describir, analizar y discutir las comprensiones y usos de los cinco términos, comparando la conceptualización leiga con la técnico-científica. Los objetivos específicos incluyen identificar y analizar los Modelos Cognitivos Idealizados y frames que estructuran la comprensión de términos clave relacionados con el VPH entre mujeres jóvenes; evaluar la precisión conceptual de las comprensiones identificadas, contrastándolas con el conocimiento especializado consolidado; y discutir los resultados y sus implicaciones para la accesibilidad textual y terminológica en comunicación en salud. La investigación articula tres ejes teóricos: (i) la Teoría Sociocognitiva de la Terminología (Temmerman, 2000a, 2000b); (ii) la Lexicología de la Verticalidad (Wichter, 1994); y (iii) la Lingüística Cognitiva, con énfasis en los MCI (Lakoff, 1987) y frames (Fillmore, 2006). Complementariamente, se utiliza Faber (2009) para discutir categorización prototípica y redes conceptuales, así como Eysenbach et al. (2002) y Paolucci, Pereira Neto y Nadanovsky (2021) para el concepto de precisión informacional. Metodológicamente, se trata de investigación cuanti-cualitativa, de tipo descriptivo y transversal, con predominancia cualitativa. La vertiente cuantitativa proporciona indicadores de frecuencia y porcentajes de precisión; la cualitativa interpreta los contenidos y modelos cognitivos. El corpus técnico está compuesto por la Guía Práctica sobre el VPH (Brasil, 2014) y por los Descriptores en Ciencias de la Salud (DeCS/BIREME, 2025) y el corpus empírico reúne 11 entrevistas orales. El procesamiento textual se realizó en el software R, utilizando algoritmos de ganancia informativa (Quinlan, 1986) y LDA (Grün; Hornik, 2011) para validación semántica. Los resultados evidenciaron un proceso de reconfiguración sociocognitiva en la migración de los términos. Para el término VPH, predominaron precisiones Incompleta (54,5%) e Incorrecta (45,5%), con modelos híbridos que frecuentemente lo confundían con VIH, cáncer u otras ITS. El término Papanicolaou reveló una escisión entre el significante y su función, con un 72,7% de precisión Incompleta. El término Lesión precursora presentó el mayor índice de incomprensión, con un 63,6% de precisión Ausente. Para el Cáncer de cuello uterino, la mayoría (63,6%) demostró precisión Incompleta, reconociendo la enfermedad, pero fallando en establecer el vínculo causal con el VPH, un hallazgo que evidencia el colapso de la red causal en la conceptualización leiga. En cuanto al término Vacuna, aunque universalmente reconocido (90,9% de precisión Incompleta), demostró que la familiaridad léxica no equivale a la comprensión conceptual de su mecanismo inmunológico, resultando en modelos utilitarios y esquemáticos. Al integrar TST, Lexicología de la Verticalidad y Lingüística Cognitiva, esta Tesis defiende que el significado terminológico es socialmente negociado y experiencialmente anclado, y que la pérdida de precisión informativa en los contextos leigos demanda estrategias de accesibilidad textual y terminológica capaces de promover una comunicación en salud más clara, equitativa y humanizada. Los hallazgos contribuyen directamente a los campos de la Terminología y la Salud Pública, con potencial aplicación en políticas de salud y en proyectos colaborativos de investigación transnacional. |
| Palavras-chave: | Análise linguística Lexicologia Papilomavírus Cognição Medicina – Terminologia Papilomavírus Humano (HPV) Teoria sociocognitiva da terminologia Lexicologia da verticalidade Modelos cognitivos idealizados Acessibilidade Textual e Terminológica (ATT) Papanicolau Lesão precursora Câncer do colo do útero Vacina Human Papillomavirus (HPV) Sociocognitive terminology theory Lexicology of verticality Idealized cognitive models Textual and terminological accessibility Pap smear Precursor lesion Cervical cancer Vaccine VPH Teoría sociocognitiva de la terminología Lexicología de la verticalidad Modelos cognitivos idealizados Accesibilidad Textual y Terminológica (ATT) Papanicolaou Lesión precursora Cáncer de cuello uterino y vacuna |
| área CNPQ: | LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS |
| Idioma: | por |
| Sigla da Instituição: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Programa de Pós-graduação: | Pós-Graduação em Letras |
| Citação: | ARAÚJO, Débora Simões. Terminologia, cognição e acessibilidade em saúde: compreensão dos termos do HPV entre universitárias da Universidade Federal de Sergipe. 2026. 280 f. Tese (Doutorado em Letras) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026. |
| URI: | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25422 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Letras |
Arquivos associados a este item:
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
|---|---|---|---|---|
| DEBORA_SIMOES_ARAUJO.pdf | 2,67 MB | Adobe PDF | ![]() Visualizar/Abrir |
Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.
