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https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25451| Tipo de Documento: | Tese |
| Título: | As crenças da comunidade escolar sobre leitura: um estudo exploratório no Colégio de Aplicação na Universidade Federal de Sergipe |
| Título(s) alternativo(s): | The beliefs of the school community about reading: an exploratory study at the Colégio de Aplicação of the Federal University of Sergipe |
| Autor(es): | Monteiro, Ludmila Chagas |
| Data do documento: | 18-Dez-2025 |
| Orientador: | Freitag, Raquel Meister Ko. |
| Resumo: | A leitura constitui um eixo fundamental para a formação cidadã, possibilitando a compreensão crítica do mundo letrado. Sua aprendizagem é dita como um compromisso de todos, conforme previsto em dispositivos legais que orientam as políticas públicas. Todavia, persistem dúvidas sobre o conceito de “leitura” e de “comunidade escolar” nos documentos oficiais, especialmente em Leis e Decretos. Esta pesquisa objetivou analisar as crenças da comunidade escolar sobre leitura e compará-las às crenças normativas presentes em atos normativos que regem a legislação no país. A investigação fundamentase na Teoria da Ação Planejada (TAP) (Ajzen, 1991), uma derivação Teoria da Ação Racional (TAR), (Fishbein; Ajzen, 2015) segundo a qual crenças comportamentais, normativas e de controle são construídas ao longo da vida mediante experiências pessoais, influências sociais e referenciais culturais. As crenças também se expressam em documentos oficiais, configurando orientações normativas que moldam expectativas e práticas escolares. A primeira etapa da pesquisa consistiu em uma revisão da literatura que examinou o arcabouço normativo referente à leitura desde a Constituição Federal de 1988 até 2025. Adicionalmente, foram comparadas as matrizes de avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (SAEB) com as Médias de Proficiência em Língua Portuguesa ao longo de documentos oficiais publicados. Também foram analisadas produções científicas dos últimos dez anos relacionadas às crenças sobre leitura no contexto brasileiro. Os resultados evidenciam que há obstáculos estruturais limitantes na efetivação das políticas de leitura. Observou-se indefinição conceitual recorrente nos documentos analisados, quanto aos termos “leitura” e “comunidade escolar”, e, que a constante mudança das escalas de avaliação, compromete a continuidade das ações e dificulta a responsabilização coletiva pela melhoria da proficiência leitora. A etapa empírica consistiu num estudo observacional, correlacional e de delineamento transversal, com 202 participantes entre 13 e 63 anos, incluindo estudantes, familiares e profissionais do Colégio de Aplicação – UFS. Essa composição diversificada favoreceu análises psicométricas consistentes sobre as percepções e crenças acerca da leitura. O instrumento aplicado — composto por questões fechadas, abertas e escala Likert — apresentou indícios de validade de conteúdo, sustentadas pela concordância entre especialistas e por indicadores quantitativos adequados. Nas questões abertas, a maioria dos participantes (63,9%) interpretou a leitura como compromisso positivo, indicando crenças comportamentais favoráveis e atitudes predominantemente positivas em relação à prática leitora, porém uma parcela expressiva apontou que condições externas impedem a leitura (21,5%), deslocando o foco para fatores estruturais e contextuais, o que se relaciona às crenças de controle e à percepção de barreiras para o engajamento em práticas leitoras. Quanto aos programas governamentais de incentivo à leitura e os baixos níveis de proficiência, observou-se forte tendência à atribuição de responsabilidade individual (36,2%) ou difusa (“culpa dos outros”, 35,1%), seguida pela responsabilização do sistema educacional (28,6%). Esse padrão sugere um processo de atribuição externa e interna que influencia as crenças normativas e de controle, deslocando o eixo da responsabilidade ora para o indivíduo, ora para instâncias abstratas do sistema. Além disso, a maioria dos participantes reconheceu a centralidade do professor no ensino da leitura, mas de forma integrada à vontade individual (62,1%) ou ao envolvimento de familiares, pares e ambiente (24,3%), o que evidencia uma compreensão mais complexa e sistêmica do fenômeno, alinhada à Teoria da Ação Planejada (TAP), ao articular crenças normativas (expectativas sobre o papel do professor), crenças comportamentais (valor da instrução) e crenças de controle (condições ambientais). Por fim, questionados sobre quem integra uma comunidade escolar, uma minoria restringiu o conceito a alunos e professores (8,8%), a maior parte incluiu profissionais da escola (48,4%) e família (30,2%), e um grupo menor ampliou a definição para abarcar governo e outros atores sociais (12,6%). Esse achado é relevante do ponto de vista das crenças normativas, pois revela diferentes níveis de reconhecimento da rede de influências sociais que moldam práticas educativas e leitoras. Os resultados possibilitam uma compreensão das crenças da comunidade escolar sobre leitura e podem subsidiar pesquisas, intervenções pedagógicas e políticas públicas orientadas para a construção de contextos escolares que favoreçam o engajamento leitor. |
| Abstract: | Reading is a fundamental element in civic education, enabling a critical understanding of the literate world. Learning to read is considered a commitment for everyone, as stipulated in legal provisions that guide public policies. However, doubts persist regarding the concepts of “reading” and “school community” in official documents, especially in laws and decrees. This research aimed to analyze the beliefs of the school community about reading and compare them to the normative beliefs present in normative acts that govern the legislation in the country. The investigation is based on the Theory of Planned Action (TPA) (Ajzen, 1991), a derivation of the Theory of Rational Action (TAR) (Fishbein; Ajzen, 2015), according to which behavioral, normative, and control beliefs are constructed throughout life through personal experiences, social influences, and cultural references. These beliefs are also expressed in official documents, shaping normative guidelines that mold expectations and school practices. The first stage of the research consisted of a literature review that examined the normative framework related to reading from the 1988 Federal Constitution to 2025. Moreover, the assessment matrices of the National System for the Evaluation of Basic Education (SAEB) were compared with the average proficiency scores in Portuguese Language across published official documents. Scientific publications from the last ten years related to beliefs about reading in the Brazilian context were also analyzed. The results show that there are limiting structural obstacles to the effective implementation of reading policies. Recurring conceptual ambiguity was observed in the analyzed documents regarding the terms “reading” and “school community”, and the constant changes in evaluation scales compromise the continuity of actions and hinder collective accountability for improving reading proficiency. The empirical phase consisted of an observational, correlational, and crosssectional study with 202 participants aged between 13 and 63 years, including students, family members, and professionals from the Colégio de Aplicação – UFS. This diverse composition favored consistent psychometric analyzes of perceptions and beliefs about reading. The instrument used — comprising closed-ended questions, open-ended questions, and a Likert scale — showed evidence of content validity, supported by agreement among experts and by adequate quantitative indicators. In the open-ended questions, most of the participants (63.9%) interpreted reading as a positive commitment, indicating favorable behavioral beliefs and predominantly positive attitudes toward reading practice. However, a significant portion indicated that external conditions impede reading (21.5%), shifting the focus to structural and contextual factors, which relates to beliefs of control and the perception of barriers to engagement in reading practices. Regarding government programs to encourage reading and low levels of proficiency, a strong tendency was observed towards attributing individual responsibility (36.2%) or diffuse responsibility (“blame others”, 35.1%), followed by blaming the education system (28.6%). This model suggests a process of external and internal attribution that influences normative and control beliefs, shifting the axis of responsibility either to the individual or to abstract instances of the system. Furthermore, most participants recognized the centrality of the teacher in teaching reading, but in a way that is integrated with individual will (62.1%) or with the involvement of family, peers, and the environment (24.3%), which demonstrates a more complex and systemic understanding of the phenomenon, aligned with the Theory of Planned Action (TPA), by articulating normative beliefs (expectations about the teacher's role), behavioral beliefs (value of instruction), and control beliefs (environmental conditions). Finally, when asked who constitutes a school community, a minority restricted the concept to students and teachers (8.8%), the majority included school professionals (48.4%) and family (30.2%), and a smaller group broadened the definition to encompass government and other social actors (12.6%). This finding is relevant from the perspective of normative beliefs, as it reveals different levels of recognition of the network of social influences that shape educational and reading practices. The results allow for an understanding of the school community’s beliefs about reading and can support research, pedagogical interventions, and public policies aimed at building school contexts that promote reading engagement. |
| Palavras-chave: | Psicologia Crença e dúvida Leitura Comunidade escolar Atos normativos Brasil Educação em Psicologia Crenças Beliefs Reading School community Normative acts |
| área CNPQ: | CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA |
| Idioma: | por |
| Sigla da Instituição: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Programa de Pós-graduação: | Pós-Graduação em Psicologia |
| Citação: | MONTEIRO, Ludmila Chagas. As crenças da comunidade escolar sobre leitura: um estudo exploratório no Colégio de Aplicação na Universidade Federal de Sergipe. 2025. 155 f. Tese (Doutorado em Psicologia) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2025. |
| URI: | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25451 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Psicologia |
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