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Document Type: Tese
Title: “Quem falou que eu ando só?” : práticas educativas e saberes constituídos na Auto-Organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria
Authors: Santos, Andréia Teixeira dos
Issue Date: 28-Feb-2023
Advisor: Lucini, Marizete
Resumo : Esta tese investiga práticas educativas e saberes emancipatórios que emergem das atividades da Auto-Organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria. Para tanto, empreendemos uma discussão sobre o Movimento de Mulheres Negras e sua relação com debates epistemológicos em torno das experiências dos povos racializados, destacando o Feminismo Negro e o Feminismo Decolonial como aportes teórico-práticos para a compreensão das articulações que ancoram o Movimento de Mulheres Negras na contemporaneidade; analisamos o associativismo negro no Brasil nas últimas décadas, sinalizando configurações e pautas reivindicatórias desta coletividade, relacionando a interlocução estabelecida pelo Movimento Negro sergipano com os debates nacionais; historicizamos o Movimento de Mulheres Negras, colocando em perspectiva o Movimento de Mulheres Negras sergipano em diálogo com os movimentos nacionais, considerando as maneiras como as desigualdades de gênero, classe e raça foram operacionalizadas por estas mulheres negras na construção de seu ativismo político contra o racismo, sexismo, LGBTfobia e opressão de classe e, por fim, analisamos, a partir das narrativas das ativistas e de nossa participação nas atividades da Auto-Organização, as práticas educativas e saberes emancipatórios (Gomes, 2017) produzidos na Auto-Organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria, relacionados à articulação interseccional entre raça, gênero e classe, considerando que estas pedagogias e saberes emergem das ações cotidianas desta coletividade. Para nos aproximarmos da leitura que as ativistas empreendem acerca da sua participação na Auto-Organização, seguimos a perspectiva da Pesquisa Ativista Feminista Negra (Lemos, 2016) e nos inserimos ativamente nas atividades do grupo. A História Oral, a observação-participante, a pesquisa documental, iconográfica e o uso do diário de campo fizeram parte dos procedimentos investigativos. Como práticas educativas, identificamos as rodas de conversa, palestras, oficinas, cineclube e cine-debates, além dos espaços de formação política, manifestações de rua e eventos culturais, da elaboração de notas de repúdio ou cartas de denúncia e a elaboração de materiais informativos. Nestas práticas, através da problematização da realidade, são discutidos temas importantes para a resistência e sobrevivência negra e, nestas discussões, são mobilizados saberes emancipatórios políticos, identitários, estético-corpóreos e interseccionais, que visam o empoderamento do povo preto para analisar criticamente a sociedade sergipana e pensar estratégias de resistência que possam combater as opressões interseccionais que atravessam os corpos pretos e os levam à condição de marginalização, frente aos poderes instituídos. Categorizamos as atividades realizadas em: ações de combate ao racismo e a violência contra a mulher negra; ações de Autocuidado, ações lúdicas, ações de valorização da cultura negra, ações de incidência política e ações voltadas para a maternidade Preta, além de ações voltadas para o empoderamento, por meio da valorização da mulher negra, da educação, do trabalho e da conscientização sobre os direitos sociais. Nesse sentido, compreendemos o espaço da AutoOrganização de Mulheres Negras Rejane Maria como um coletivo de referência para o Movimento de Mulheres Negras de Sergipe, na atualidade, sendo produtor de uma pedagogia de (re)existência que emerge das escrevivências das mulheres negras ativistas, representando um espaço marcado por práticas pedagógicas emancipatórias inseridas na perspectiva da Pedagogia Feminista Negra, empreendendo resistência à colonialidade do ser e do saber, e, sobretudo, de combate às opressões interseccionais de raça, gênero, classe e sexualidade.
Abstract: This thesis investigates educational practices and emancipatory knowledge that emerge from the activities of the Auto-Organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria. To do so, we undertake a discussion about the Black Women’s Movement and its relationship with epistemological debates around the experiences of racialized peoples, highlighting Black Feminism and Decolonial Feminism as theoretical and practical contributions to understanding the articulations that anchor the Women’s Movement Black women in contemporary times; we analyze the black associations in Brazil in the last decades, signaling configurations and claims guidelines of this collectivity, relating the interlocution established by the Sergipe Black Movement with the national debates; we historicize the Black Women’s Movement, putting in perspective the Sergipe Black Women’s Movement in dialogue with national movements, considering the ways in which gender, class and race inequalities were operationalized by these black women in the construction of their political activism against racism , sexism, LGBTphobia and class oppression and, finally, we analyze, based on the narratives of the activists and our participation in the activities of the Self-Organization, the educational practices and emancipatory knowledge (Gomes, 2017) produced in the SelfOrganization of Women Black women from Sergipe Rejane Maria related to the intersectional articulation between race, gender and class, considering that these pedagogies and knowledge emerge from the daily actions of this collectivity. To approach the reading that the activists undertake about their participation in Self-Organization, we follow the perspective of the Black Feminist Activist Research (Lemos, 2016), we actively participate in the group’s activities. Oral History, participant-observation, documentary and iconographic research and the use of a field diary were part of the investigative procedures. As educational practices, we identified conversation circles, lectures, workshops, film clubs and film debates, in addition to spaces for political training, street demonstrations and cultural events, the preparation of rejection notes or denunciation letters and the preparation of informative materials.In these practices, through the problematization of reality, important themes for black resistance and survival are discussed and, in these discussions, emancipatory political, identity, aestheticcorporeal and intersectional knowledge are mobilized that aim at the empowerment of the black people to critically analyze Sergipe society and think of resistance strategies that can combat the intersectional oppressions that cross black bodies and lead them to a condition of marginalization in the face of the instituted powers. We categorize the activities carried out into: actions to combat racism and violence against black women; Self-Care Actions, Playful Actions, Actions to Appreciate Black Culture, Actions of Political Impact and Actions aimed at Black Maternity, in addition to Actions aimed at empowerment through the appreciation of black women, education, work and awareness about social rights. In this sense, we understand the space of the Self-Organization of Black Women Rejane Maria as a reference collective for the Movement of Black Women of Sergipe today, being a producer of a pedagogy of (re)existence that emerges from the writings of black women activists, representing a space marked by emancipatory pedagogical practices inserted in the perspective of Black Feminist Pedagogy, undertaking resistance to the coloniality of being and knowledge, and, above all, combating intersectional oppressions of race, gender, class and sexuality.
Esta tesis investiga prácticas educativas y saberes emancipatorios que emergen de las actividades de la Auto-Organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria. Para ello, emprendemos una discusión sobre el Movimiento de Mujeres Negras y su relación com los debates epistemológicos em torno a las experiencias de los pueblos racializados, destacando el Feminismo Negro y el Feminismo Decolonial como aportes teóricos y prácticos para comprender las articulaciones que anclan el Movimiento de Mujeres Negras em la contemporaneidad. Veces; analisamos las asociaciones negras em Brasil em las últimas décadas, señalando configuraciones y pautas de reivindicación de esta colectividad, relacionando la interlocución estabelecida por el Movimiento Negro Sergipe com los debates nacionales; historizamos el Movimiento de Mujeres Negras, poniendo em perspectiva el Movimiento de Mujeres Negras de Sergipe em diálogo com los movimientos nacionales, considerando las formas em que las desigualdades de género, clase y raza fueron operacionalizadas por estas mujeres negras em la construcción de su activismo político contra el racismo, el sexismo, LGBTfobia y opresión de clase y, finalmente, analisamos, a partir de las narrativas de las activistas y de nuestra participación em las actividades de la Autoorganización, las prácticas educativas y saberes emancipatorios (Gomes, 2017) producidos em la Autoorganización de Mujeres Negras. Mujeres de Sergipe Rejane Maria se relacionaron com la articulación interseccional entre raza, género y clase, considerando que estas pedagogías y saberes emergen del accionar cotidiano de esta colectividad. Para acercarnos a la lectura que las activistas emprenden sobre su participación em la Autoorganización, seguimos la perspectiva de la Investigación Activista Feminista Negra (Lemos, 2016), participamos activamente em las actividades del grupo.La Historia Oral, la observación-participante, la investigación documental e iconográfica y el uso de un diario de campo fueron parte de los procedimientos investigativos. Como prácticas educativas identificamos círculos de conversación, conferencias, talleres, cineclubes y cinedebate, además de espacios de formación política, manifestaciones callejeras y eventos culturales, elaboración de notas de rechazo o cartas de denuncia y elaboración de materiales informativos. En estas prácticas, a través de la problematización de la realidad, se discuten temas importantes para la resistencia y sobrevivencia negra y, em estas discusiones, se movilizan saberes políticos emancipatorios, identitarios, estético-corporales e interseccionales que apuntan al empoderamiento de las personas negras para analisar críticamente Sergipe la sociedad y pensar estrategias de resistencia que puedan combatir las opresiones interseccionales que atraviesan los cuerpos negros y los conducen a una condición de marginación frente a los poderes instituídos. Clasificamos las actividades realizadas em: acciones para combatir el racismo y la violencia contra las mujeres negras; Acciones de Autocuidado, Acciones Lúdicas, Acciones de Valorización de la Cultura Negra, Acciones de Impacto Político y Acciones encaminadas a la Maternidad Negra, además de Acciones encaminadas al empoderamiento a través de la valorización de la mujer negra, la educación, el trabajo y la sensibilización sobre los derechos sociales. En esse sentido, entendemos el espacio de la Autoorganización de Mujeres Negras Rejane Maria como colectivo de referencia para el Movimiento de Mujeres Negras de Sergipe hoy, siendo productor de una pedagogía de (re)existencia que emerge de las escrituras de mujeres negras. Mujeres activistas, representando un espacio marcado por prácticas pedagógicas emancipatorias insertas em la perspectiva de la Pedagogía Feminista Negra, emprendiendo resistencia a la colonialidad del ser y del saber, y, sobre todo, combatiendo las opresiones interseccionales de raza, género, clase y sexualidad.
Keywords: Educação
Negras
Negras em Sergipe
Feminismo
Movimentos sociais
Aprendizagem
Atividades políticas negras
Sergipe
Movimento de mulheres negras
Feminismo negro
Saberes emancipatórios
Pedagogia feminista negra
Education
Black women’s movement
Black feminism
Emancipatory knowledge
Black feminist pedagogy
Educación
Movimiento de mujeres negras
Conocimiento emancipador
Pedagogía feminista negra
Subject CNPQ: CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
Language: por
Institution: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Program Affiliation: Pós-Graduação em Educação
Citation: SANTOS, Andréia Teixeira dos. “Quem falou que eu ando só?” : práticas educativas e saberes constituídos na Auto-Organização de Mulheres Negras de Sergipe Rejane Maria. 2023. 339 f. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2023.
URI: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/18198
Appears in Collections:Doutorado em Educação

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