Use este identificador para citar ou linkar para este item: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/24887
Tipo de Documento: Dissertação
Título: Paisagens do trabalho docente: uma experiência autoetnográfica com inteligência artificial generativa na educação linguística em inglês
Autor(es): Barbosa, Simone Cristina Silva
Data do documento: 20-Fev-2026
Orientador: Nascimento, Ana Karina de Oliveira
Resumo: Com o avanço das tecnologias digitais e a popularização de sistemas de inteligência artificial (IA) generativa, o campo educacional passa a enfrentar novos desafios e possibilidades. Essas transformações tornam ainda mais urgentes as reflexões sobre o lugar das tecnologias, especialmente as digitais, nas práticas pedagógicas, sobretudo em contextos públicos, marcados por desigualdades de acesso e problemas estruturais. Neste cenário, este estudo, ancorado na Linguística Aplicada (Moita Lopes, 2006; Fabrício, 2006), tem como objetivo investigar como a IA generativa mobiliza o planejamento de aulas de inglês fundamentadas na pedagogia dos multiletramentos (Grupo Nova Londres, 1996; Cope; Kalantzis, 2025a, 2025b), nos pressupostos teóricos que orientam os estudos de IA generativa (Santaella, 2023; Santos, 2024; Boa Sorte, 2024a) e considerando a Base Nacional Comum Curricular – BNCC (Brasil, 2018). Trata-se de uma pesquisa qualitativa (Paiva, 2019), que adota a autoetnografia (Holman Jones; Adams; Ellis, 2016; Ono, 2017; Magalhães, 2023) como abordagem metodológica, por compreender que a experiência da professora-pesquisadora pode produzir conhecimentos a partir da articulação entre o pessoal, o pedagógico e o político. Para a realização da investigação, foram mobilizados dois instrumentos principais de geração de dados: (1) uma sequência didática para aulas de inglês elaborada pela pesquisadora em interação com a IA generativa, para uma turma do 2º ano do ensino médio de uma escola pública estadual de Alagoas; e (2) um diário de campo multimodal, no qual a pesquisadora documentou suas interações, reflexões, sentimentos e decisões ao longo do processo. O tratamento dos dados segue o modelo de codificação de narrativa de Saldaña (2013). As análises indicam que, embora a IA generativa apresente possibilidades relevantes para o planejamento pedagógico, especialmente no que se refere ao gerenciamento do tempo, aos aspectos didáticos e pedagógicos, à promoção de práticas criativas baseadas na multimodalidade, bem como à construção de memória e à autorreflexão, seu uso ainda demanda cuidados significativos. Tais cuidados relacionam-se, sobretudo, à promoção de práticas críticas e contextualizadas, diante de desafios como a influência algorítmica, as limitações de adaptação, a falta de clareza na formulação de comandos, a ocorrência de alucinações e a insuficiente diversidade cultural nos conteúdos gerados. Com isso, esta pesquisa busca contribuir para as discussões sobre o uso crítico da inteligência artificial na educação linguística em inglês, além de fomentar uma compreensão mais profunda sobre o impacto da IA generativa nas práticas multiletradas e colaborar para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que incorporem tecnologias digitais de forma crítica, reflexiva e alinhada aos princípios dos multiletramentos. Por fim, almeja-se que a publicação deste trabalho contribua com a ampliação da adoção da autoetnografia como metodologia de pesquisa em Linguística Aplicada, destacando seu valor para investigações educacionais contemporâneas.
Abstract: With the advancement of digital technologies and the popularization of generative artificial intelligence (AI) systems, the educational field faces new challenges and possibilities. These transformations make it increasingly urgent to reflect on the role of technologies in pedagogical practices, especially in public school contexts marked by structural inequalities and limited access. In this scenario, this study, grounded in Applied Linguistics (Moita Lopes, 2006; Fabrício, 2006), aims to investigate how generative AI mobilizes the planning of English lessons based on the pedagogy of multiliteracies (New London Group, 1996; Cope; Kalantzis, 2025a, 2025b) and on the theoretical foundations that guide generative AI studies (Santaella, 2023; Santos, 2024; Boa Sorte, 2024a) and considering the Brazilian National Common Core Curriculum – BNCC (Brazil, 2018). This is a qualitative research (Paiva, 2019) that adopts autoethnography (Holman Jones, Adams; Ellis, 2016; Ono, 2017; Magalhães, 2023) as a methodological approach, considering that the teacher-researcher's experience can generate knowledges through the articulation of personal, pedagogical, and political dimensions. For the purposes of this investigation, two main data generation instruments were employed: (1) a didactic sequence for english classes developed by the researcher in interaction with generative AI for a second-year high school class at a public state school in Alagoas, Brazil; and (2) a multimodal field diary in which the researcher documented her interactions, her reflections, feelings, and decisions throughout the process. Data analysis follows Saldaña’s (2013) narrative coding model. The findings indicate that, although generative AI presents relevant possibilities for pedagogical planning, especially regarding time management, didactic and pedagogical aspects, the promotion of creative practices based on multimodality, as well as memory building and self-reflection, its use still demands significant care. Such care relates, above all, to the promotion of critical and contextualized practices, in the face of challenges such as algorithmic influence, limitations in adaptation, lack of clarity in command formulation, the occurrence of hallucinations, and insufficient cultural diversity in the generated content. This research thus seeks to contribute to discussions on the critical use of AI in English language education, to deepen the understanding of the impacts of generative AI on multiliteracies-based practices, and to support the development of pedagogical practices that incorporate digital technologies in a critical, reflective way and aligned with the principles of multiliteracies. Finally, it is hoped that the publication of this work will contribute to the increased adoption of autoethnography as a research methodology in Applied Linguistics, highlighting its value for contemporary educational research.
Palavras-chave: Língua inglesa – Estudo e ensino
Inteligência artificial
Letramento
Linguística aplicada
Autoetnografia
Inteligência artificial generativa
Multiletramentos
Inglês
Autoethnography
Generative artificial intelligence
Multiliteracies
English language education
área CNPQ: LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Idioma: por
Sigla da Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Programa de Pós-graduação: Pós-Graduação em Letras
Citação: BARBOSA, Simone Cristina Silva. Paisagens do trabalho docente: uma experiência autoetnográfica com inteligência artificial generativa na educação linguística em inglês. 2026. 160 f. Dissertação (Mestrado em Letras) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026.
URI: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/24887
Aparece nas coleções:Mestrado em Letras

Arquivos associados a este item:
Arquivo Descrição TamanhoFormato 
SIMONE_CRISTINA_SILVA_BARBOSA.pdf3,69 MBAdobe PDFThumbnail
Visualizar/Abrir


Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.