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https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25403| Tipo de Documento: | Dissertação |
| Título: | Os discursos sobre usos e usuários de maconha na Folha de S. Paulo entre as décadas de 1980 e 1990 |
| Autor(es): | Dinelli, Luciana Barreto |
| Data do documento: | 14-Fev-2025 |
| Orientador: | Barbosa, Ivan Fontes |
| Resumo: | A presente dissertação consistiu em um estudo sobre os discursos acerca dos usos e usuários de maconha veiculados no jornal A Folha de S. Paulo entre as décadas de 1980 e 1990. Teve como objetivo analisar tais discursos e suas relações com a cruzada moral que levou ao reforço das imagens criminais e psicotrópicas sobre os usos e usuários no Brasil. Utilizamos como coordenadas teóricas as instruções de Howard Becker, acerca da criação e imposição de regras e rotulação dos usuários, e as apresentadas pelo viés das estratégias biopolíticas de controle da população, levando em conta a análise de discurso segundo Michel Foucault. Para tanto, buscamos na sessão Acervo do site Folha de S. Paulo matérias e reportagens que citam a palavra “maconha”, a fim de mensurar as imagens que estas palavras produziam neste momento. Categorizamos os conteúdos em quatro categorias: violência, tráfico, normalização e humor. A circunscrição das dimensões ligadas ao tráfico e a violência nos possibilitaram compreender o discurso do veículo como alinhado à necropolítica contra os usuários, relacionando-os a estereótipos negativos, evidenciando os aspectos raciais, socioeconômicos e georreferenciais destes indivíduos. A categoria normalização, por outro lado, remete a uma tensão no imaginário sobre os aspectos positivos do uso de maconha por parte dos indivíduos de classe média, afinal os empreendedores morais passaram a conviver com o uso de maconha em seus círculos sociais. A classificação humor, por outro lado, traz a banalização do usuário e a falta de seriedade ao se tratar da questão da descriminalização da maconha. Concluímos, portanto, que o posicionamento da Folha no período investigado, assumiu uma feição conservadora que endossou a intuição que legitimou o uso do emprego da violência e da estigmatização dos usos e usuários, em especial, os das classes populares com marcadores raciais e ligados a modalidade de trabalho precário e vulnerável. |
| Abstract: | This dissertation presents a study of the discourses on marijuana use and users
disseminated in the newspaper Folha de S. Paulo between the 1980s and 1990s. It
aims to analyze such discourses and their relationship with the moral crusade that
reinforced criminal and psychotropic representations of marijuana use and users in
Brazil. The theoretical framework draws on Howard Becker's conceptualization of rule
creation, rule enforcement, and user labeling, alongside the biopolitical strategies of
population control, informed by Michel Foucault's discourse analysis. The empirical
corpus was constructed through a systematic search of the Folha de S. Paulo digital
archive (Acervo), retrieving articles and news reports containing the term "maconha"
(marijuana), with the purpose of mapping the imagery produced by such
representations during the period under examination. The collected material was
organized into four analytical categories: violence, drug trafficking, normalization, and
humor. The prevalence of content associated with drug trafficking and violence allowed
us to identify the newspaper's discourse as aligned with a necropolitical stance directed
against marijuana users, associating them with negative stereotypes and
foregrounding racial, socioeconomic, and georeferenced markers of these individuals.
The normalization category points to a tension within the social imaginary regarding
the perceived positive dimensions of marijuana use among middle-class individuals,
given that moral entrepreneurs had begun to coexist with marijuana consumption
within their own social circles. The humor category reveals a trivialization of the
marijuana user and a lack of seriousness in addressing the question of
decriminalization. It is concluded that Folha de S. Paulo's editorial stance during the
investigated period assumed a conservative character, endorsing the rationale that
legitimized the use of violence and the stigmatization of marijuana use and users,
particularly those from lower-class backgrounds bearing racial markers and engaged
in precarious and vulnerable forms of labor. Esta disertación consistió en un estudio de los discursos sobre los usos y usuarios de marihuana difundidos en el periódico Folha de S. Paulo entre las décadas de 1980 y 1990. Tuvo como objetivo analizar dichos discursos y sus relaciones con la cruzada moral que condujo al reforzamiento de las imágenes criminales y psicotrópicas sobre los usos y usuarios en Brasil. Se utilizaron como coordenadas teóricas las indicaciones de Howard Becker sobre la creación e imposición de reglas y la rotulación de los usuarios, así como las ofrecidas por la perspectiva de las estrategias biopolíticas de control de la población, tomando en cuenta el análisis del discurso según Michel Foucault. Para ello, se buscaron en la sección "Acervo" del sitio web de Folha de S. Paulo artículos y reportajes que mencionaran la palabra "marihuana", a fin de mensurar las imágenes que estos textos producían en aquel momento. Los contenidos se clasificaron en cuatro categorías: violencia, tráfico, normalización y humor. La circunscripción de las dimensiones vinculadas al tráfico y a la violencia permitió comprender el discurso del periódico como alineado con la necropolítica contra los usuarios, relacionándolos con estereotipos negativos y poniendo de relieve los aspectos raciales, socioeconómicos y georreferenciales de estos individuos. La categoría de normalización, por su parte, remite a una tensión en el imaginario acerca de los aspectos positivos del consumo de marihuana por parte de los individuos de clase media, toda vez que los emprendedores morales pasaron a convivir con el consumo de marihuana en sus propios círculos sociales. La categoría de humor revela la banalización del usuario y la falta de seriedad al abordar la cuestión de la descriminalización de la marihuana. Se concluye, por tanto, que el posicionamiento de Folha de S. Paulo en el período investigado asumió un carácter conservador que respaldó la lógica que legitimó el recurso a la violencia y la estigmatización de los usos y usuarios, en especial los de las clases populares, con marcadores raciales y vinculados a modalidades de trabajo precario y vulnerable. |
| Palavras-chave: | Sociologia Maconha Biopolítica Folha de São Paulo Discurso Empreendimento moral Marijuana Discourse Biopolitics Moral entrepreneurship Emprendimiento moral |
| área CNPQ: | CIENCIAS HUMANAS::SOCIOLOGIA |
| Agência de fomento: | Fundação de Apoio a Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe - FAPITEC/SE |
| Idioma: | por |
| Sigla da Instituição: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Programa de Pós-graduação: | Pós-Graduação em Sociologia |
| Citação: | DINELLI, Luciana Barreto. Os discursos sobre usos e usuários de maconha na Folha de S. Paulo entre as décadas de 1980 e 1990. 2025. 124 f. Dissertação (Mestrado em Sociologia) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2025. |
| URI: | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25403 |
| Aparece nas coleções: | Mestrado em Sociologia |
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