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Tipo de Documento: Dissertação
Título: O corpo-escrita contra as violências de gênero nas ficções de Vidal e Smanioto
Autor(es): Freitas, Eidisara Alves
Data do documento: 27-Fev-2026
Orientador: Gomes, Carlos Magno
Resumo: A presente dissertação investiga as representações do corpo feminino e do espaço nas obras Mar azul (2012), de Paloma Vidal, e Meu corpo ainda quente (2020), de Sheyla Smanioto, analisando de que modo suas escritas reelaboram as relações entre as violências sofridas pelos corpos femininos a partir de experiências estéticas que estamos denominando de corpo-escrita conforme Gomes (2024). Em Mar azul, o mar e a água simbolizam o processo de purificação e recomposição identitária da protagonista, que plasma a dor e o trauma no corpo-escrita. Já em Meu corpo ainda quente, a cidade de Vermelha e o ambiente doméstico configuram-se como espaços de violência e opressão, nos quais o corpo feminino emerge como corpo-escrita de denúncia e sobrevivência. Portanto, nossa principal hipótese é de que o corpo feminino traz as marcas do arquivo da violência e a potência de reinvenção, consolidando-se por meio da criação ficcional de Vidal e Smanioto em um corpo-escrita. Metodologicamente, partimos do conceito de corpo na ficção de autoria feminina proposto por Elódia Xavier (2007/2021), que classifica os corpos femininos entre os disciplinados e os liberados, levando em conta a opressão patriarcal; exploramos também a perspectiva da literatura como uma escrita sobre violência contra a mulher como uma literatura de denúncia como ressalta Eurídice Figueiredo (2019); dialogamos com os textos de Carlos Gomes (2021/2024) que mapeiam os espaços da violência de gênero controlado por códigos misóginos dos quais as autoras contemporâneas tentam apagar/arrancar de seus corpos. Didaticamente, esta dissertação está dividida em três capítulos. No primeiro, fazemos um levantamento sobre a fortuna crítica de Vidal e Smanioto e apresentamos alguns conceitos próprios da crítica feminista; no segundo, vamos analisar comparativamente como os espaços dos corpos das protagonistas se confundem com os espaços da escrita, fortalecendo nosso argumento de que o corpo que sofre violência é um corpo metamorfoseado em corpo-escrita. E o terceiro propomos uma reflexão sobre o momento em que o corpo feminino deixa de ser espaço de dominação e se torna morada simbólica de uma nova linguagem. Nesse eixo, o espaço deixa de ser apenas cenário e passa a funcionar como extensão do corpo das personagens presentificada nos espaços.
Abstract: This dissertation investigates the representations of the female body and space in Mar azul (2012), by Paloma Vidal, and Meu corpo ainda quente (2020), by Sheyla Smanioto, analyzing how their writings rework the relationships between the violence inflicted upon female bodies through aesthetic experiences that we term body-writing, following Gomes (2024). The central hypothesis is that the female body carries both the marks of the archive of violence and the potential for reinvention, becoming consolidated, through the fictional creation of these authors, as body-writing. In Mar azul, the sea and water symbolize processes of purification and identity recomposition, as the protagonist inscribes pain and trauma into a corporealized writing. In Meu corpo ainda quente, the city of Vermelha and the domestic space are configured as environments of violence and oppression, in which the female body emerges as a site of denunciation and survival. Methodologically, this study is grounded in the concept of the body in women’s fiction proposed by Xavier (2007; 2021), who distinguishes between disciplined and liberated bodies under patriarchal logic; it also draws on Figueiredo (2019), who understands literature as a space for denouncing violence against women; and on Gomes (2021; 2024), who maps the spaces of gender-based violence regulated by misogynistic codes. Structurally, the dissertation is organized into three chapters: the first presents the critical reception of the authors and key concepts from feminist criticism; the second develops a comparative analysis of the works, highlighting the intertwining of body and space; and the third proposes a reflection on the transformation of the female body into a symbolic dwelling of a new language.
Palavras-chave: Corpo feminino
Literatura brasileira contemporânea
Escrita de mulheres
Resistência
Female body
Contemporary brazilian literature
Women’s writing
Gender violence
Resistance
área CNPQ: LINGUISTICA, LETRAS E ARTES::LETRAS
Agência de fomento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES
Idioma: por
Sigla da Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Programa de Pós-graduação: Pós-Graduação em Letras
Citação: FREITAS, Eidisara Alves. O corpo-escrita contra as violências de gênero nas ficções de Vidal e Smanioto. 2026. 93 f. Dissertação (Mestrado em Letras) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026.
URI: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25427
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