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Tipo de Documento: Tese
Título: Envelhecimento no cárcere: mulheres, interseccionalidades e a escrevivência de um psicólogo negro em contexto prisional
Autor(es): Pereira, Elias Fernandes Mascarenhas
Data do documento: 23-Fev-2026
Orientador: Silva, Joilson Pereira da
Resumo: Nesta tese, convidamos mulheres encarceradas a falar do tempo, das marcas, do envelhecer e da própria velhice. Propusemos que resgatassem de suas memórias histórias atravessadas pela temporalidade do cárcere, uma temporalidade que, embora se inscreva nelas de modo profundo, também produz dobras subjetivas do apesar de: Investiga-se como o envelhecimento de mulheres encarceradas é produzido e atravessado por marcadores interseccionais, demonstrando que gênero, raça, classe e outros atravessamentos estruturam diferentes formas de viver o tempo, o corpo e a velhice no cárcere. O estudo também evidencia como a prática do psicólogo no contexto prisional é atravessada por esses mesmos marcadores e, portanto, não pode ser compreendida fora de um horizonte político, ético e social mais amplo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e abordagem biográfica, que articula autobiografia e história de vida. Foram adotadas duas estratégias metodológicas. No Estudo 1, foram realizadas entrevistas narrativas com 11 mulheres encarceradas, que narraram suas experiências de envelhecer no cárcere. As entrevistas foram transcritas, organizadas e analisadas a partir da recorrência de temas e sentidos compartilhados, o que permitiu a construção de categorias analíticas e a comparação entre as narrativas. No Estudo 2, foram produzidas narrativas em primeira pessoa, fundamentadas na escrevivência, nas quais foram elaboradas as afetações subjetivas, políticas e éticas decorrentes do trabalho no sistema prisional. As análises foram interpretadas à luz da interseccionalidade, do biopoder, da necropolítica e de referenciais da psicologia. Os resultados do Estudo 1 demonstraram que, mesmo antes de alcançarem a idade legalmente reconhecida como velhice, as participantes já experienciam efeitos intensos do tempo e do encarceramento em suas vidas. Já o Estudo 2 apresenta que tornar-se psicólogo dentro de unidades prisionais na perspectiva de um homem negro e suas interseções, o posicionam como alvo do sistema prisional: um corpo em constante diálogo com as contradições desse espaço, entre prestar cuidado e ser alvo do racismo estrutural e outras violências. Narrar o entrelaçamento entre minha trajetória e a delas, aproximadas pelos marcadores étnico-raciais e pelas violências históricas que compartilhamos, é compreender que esta escrita também é uma forma de me insurgir. Esta tese conclui que essas mulheres estão aprisionadas não apenas fisicamente, mas também por estruturas simbólicas que perpetuam desigualdades e intensificam violências. São camadas que não se encerram em si mesmas, mas que ecoam umas nas outras, compondo um território de reflexão. Defende-se, assim, a formulação e efetivação de políticas públicas que garantem direitos às mulheres que 9 envelhecem em privação de liberdade, a visibilização de suas narrativas e reconhecem o caráter inevitavelmente político do cuidado psicológico no cárcere.
Abstract: In this thesis, we invite incarcerated women to speak about time, traces, aging, and old age itself. We propose that they retrieve from their memories stories shaped by the temporality of prison, a temporality that, although deeply inscribed in their lives, also produces subjective folds of “in spite of.” The study investigates how the aging of incarcerated women is produced and traversed by intersectional markers, demonstrating that gender, race, class, and other structural forces shape different ways of experiencing time, the body, and old age in prison. The study also shows how the psychologist’s practice in the prison context is equally permeated by these markers and, therefore, cannot be understood outside a broader political, ethical, and social horizon. This is a qualitative, exploratory study with a biographical approach that articulates autobiography and life history. Two methodological strategies were adopted. In Study 1, narrative interviews were conducted with 11 incarcerated women, who narrated their experiences of aging in prison. The interviews were transcribed, organized, and analyzed based on the recurrence of shared themes and meanings, which enabled the construction of analytical categories and comparative examination of the narratives. In Study 2, first-person narratives were produced, grounded in escrevivência, through which subjective, political, and ethical affects arising from work within the prison system were elaborated. The analyses were interpreted in light of intersectionality, biopower, necropolitics, and psychological frameworks. The results of Study 1 demonstrated that, even before reaching the age legally recognized as old age, participants already experience intense effects of time and imprisonment on their lives. Study 2, in turn, shows that becoming a psychologist within prison units, from the perspective of a Black man and his intersecting identities, positions him as a target within the prison system: a body in constant dialogue with the contradictions of this space, between providing care and being subjected to structural racism and other forms of violence. Narrating the interweaving of my trajectory with theirs, connected through ethnic-racial markers and shared historical violences, is to understand that this writing is also a form of insurgency. This thesis concludes that these women are imprisoned not only physically, but also by symbolic structures that perpetuate inequalities and intensify violence. These are layers that do not close in on themselves, but echo one another, forming a territory of reflection. Thus, the thesis advocates for the formulation and implementation of public policies that guarantee rights to women who age in conditions of deprivation of liberty, for the visibility of their narratives, and for the recognition of the inevitably political nature of psychological care in prison contexts.
Palavras-chave: Mulheres
Envelhecimento
Prisões
Interseccionalidade
Psicologia prisional
Women
Aging
Prisons
Intersectionality
Prison psychology
área CNPQ: CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Idioma: por
Sigla da Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Programa de Pós-graduação: Pós-Graduação em Psicologia
Citação: PEREIRA, Elias Fernandes Mascarenhas. Envelhecimento no cárcere: mulheres, interseccionalidades e a escrevivência de um psicólogo negro em contexto prisional. 2026. 193 f. Tese (Doutorado em Psicologia) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026.
URI: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25440
Aparece nas coleções:Doutorado em Psicologia

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