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Tipo de Documento: Tese
Título: Histeria masculina em Jean Martin Charcot: contribuições para uma história da Psicanálise
Autor(es): Silva, Carmem Emanuela Santos
Data do documento: 27-Fev-2026
Orientador: Coelho, Daniel Menezes
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo a apresentação e análise de elementos conceituais da obra de Jean Martin Charcot especialmente as noções de trauma e de ideias fixas a partir do resgate de suas aulas sobre histeria masculina (e, posteriormente, histeria traumática). A pesquisa parte dos estudos de adoecimento masculino no Hôpital de la Salpêtrière na última década do trabalho de Charcot desenvolvido naquela instituição. Historicamente, a Salpêtrière abrigava mulheres (mendigas, prostitutas, indigentes) e, com a entrada de Charcot como médico da instituição em 1862, ocorrem mudanças na estrutura, no corpo de funcionários e no perfil dos pacientes. Com a abertura da consulta externa, Charcot e seus internos começam a atender homens que apresentavam paralisias e contraturas que não correspondiam a um trauma físico. O trabalho com homens e o consequente diagnóstico de uma histeria traumática opera uma transformação na análise dos sintomas: o trauma físico cede lugar ao trauma psíquico, uma vez que as vivências associadas ao trauma físico anterior se tornam capazes de produzir efeitos corporais reais. A dinâmica da produção de sintomas compõe um aparelho psíquico charcotiano através do qual será possível pensar o adoecimento e, por conseguinte, uma possível cura para os sintomas. Visando dar conta dessa discussão, esta tese de doutorado se estrutura do seguinte modo: uma primeira seção introdutória em que o problema da histeria masculina é apresentado, bem como a justificativa de retomar a complexidade da etiologia neurótica charcotiana, frequentemente reduzida pela historiografia psicanalítica tradicional a um mero organicismo pré-freudiano; a segunda seção com o tratamento de elementos biográficos de Charcot a partir não somente de textos hagiográficos, mas de comentários de discípulos e pesquisadores do campo da medicina; e uma terceira seção, núcleo da tese, que explora como Charcot "masculiniza" a histeria, desloca a noção de trauma a partir do conceito de ideia fixa e esboça um modelo de aparelho psíquico dividido no qual um choque emocional é capaz de produzir efeitos corporais reais. Esta última seção se organiza a partir da análise de casos de homens histéricos que demonstram o papel da ideação na formação do sintoma, expondo como as análises de Charcot, ao universalizarem a histeria, fundamentam um modelo de psiquismo que prepara o terreno para a psicanálise freudiana. Por fim, um posfácio que objetiva resgatar brevemente alguns elementos históricos da relação entre Freud e Charcot a partir de cartas trocadas entre os pensadores, da correspondência entre Freud e Marta Bernays e de textos freudianos propriamente ditos.
Abstract: The present work aims to present and analyze conceptual elements of Jean - Martin Charcot's work specifically the notions of trauma and fixed ideas based on the recovery of his lectures on male hysteria (and, subsequently, traumatic hysteria). The research stems from studies of male illness at the Hôpital de la Salpêtrière during the final decade of Charcot's work at that institution. Historically, the Salpêtrière housed women (beggars, prostitutes, the indigent), and with Charcot's arrival as the institution's physician in 1862, changes occurred in the structure, the staff, and the patient profiles. With the opening of the outpatient clinic, Charcot and his interns began treating men who presented with paralyses and contractures that did not correspond to physical trauma. The work with men and the subsequent diagnosis of traumatic hysteria effect a transformation in the analysis of symptoms: physical trauma gives way to psychic trauma, as the experiences associated with a previous physical trauma become capable of producing real bodily effects. The dynamics of symptom production compose a Charcotian psychic apparatus through which it becomes possible to conceptualize illness and, consequently, a potential cure for the symptoms. To address this discussion, this doctoral thesis is structured as follows: a first introductory section in which the problem of male hysteria is presented, along with the justification for revisiting the complexity of Charcot's neurotic etiology, often reduced by traditional psychoanalytic historiography to mere pre-Freudian organicism; a second section dealing with biographical elements of Charcot, based not only on hagiographic texts but also on commentaries from disciples and researchers in the medical field; and a third section, the core of the thesis, which explores how Charcot "masculinizes" hysteria, shifts the notion of trauma based on the concept of the fixed idea, and outlines a model of a divided psychic apparatus in which emotional shock is capable of producing real bodily effects. This final section is organized around the analysis of cases of male hysterics that demonstrate the role of ideation in symptom formation, showing how Charcot's analyses, by universalizing hysteria, establish a model of the psyche that paves the way for freudian psychoanalysis. Finally, an afterword that aims to briefly revisit some historical elements of the relationship between Freud and Charcot based on letters exchanged between the thinkers, correspondence between Freud and Martha Bernays, and Freud's own texts.
Le présent travail a pour objectif la présentation et l'analyse d'éléments conceptuels de l'oeuvre de Jean-Martin Charcot plus particulièrement les notions de trauma et idées fixes – à partir de la récupération de ses leçons sur l'hystérie masculine (et, ultérieurement, l'hystérie traumatique). Cette recherche s'appuie sur les études de la maladie masculine à l'Hôpital de la Salpêtrière durant la dernière décennie des travaux de Charcot au sein de cette institution. Historiquement, la Salpêtrière accueillait des femmes (mendiantes, prostituées, indigentes) et, avec l'arrivée de Charcot en tant que médecin de l'institution en 1862, des changements surviennent dans la structure, le personnel et le profil des patients. Avec l'ouverture de la consultation externe, Charcot et ses internes commencent à soigner des hommes présentant des paralysies et des contractures qui ne correspondaient pas à un traumatisme physique. Le travail auprès des hommes et le diagnostic subséquent d'une hystérie traumatique opèrent une transformation dans l'analyse des symptômes: le traumatisme physique cède la place au traumatisme psychique, puisque les vécus associés au traumatisme physique antérieur deviennent capables de produire des effets corporels réels. La dynamique de la production des symptômes compose un appareil psychique charcotien à travers lequel il devient possible de penser la maladie et, par conséquent, une éventuelle guérison des symptômes. Afin de mener à bien cette discussion, cette thèse de doctorat se structure de la manière suivante: une première section introductive présentant le problème de l'hystérie masculine, ainsi que la justification de la reprise de la complexité de l'étiologie névrotique charcotienne, souvent réduite par l'historiographie psychanalytique traditionnelle à un simple organicisme pré-freudien; une deuxième section traitant des éléments biographiques de Charcot, non seulement à partir de textes hagiographiques, mais aussi de commentaires de disciples et de chercheurs du domaine médical; et une troisième section, noyau de la thèse, qui explore comment Charcot "masculinise" l'hystérie, déplace la notion de traumatisme à partir du concept d'idée fixe et esquisse un modèle d'appareil psychique divisé dans lequel un choc émotionnel est capable de produire des effets corporels réels. Cette dernière section s'organise autour de l'analyse de cas d'hommes hystériques qui démontrent le rôle de l'idéation dans la formation du symptôme, exposant comment les analyses de Charcot, en universalisant l'hystérie, fondent un modèle de psychisme qui prépare le terrain pour la psychanalyse freudienne. Enfin, une postface qui vise à revenir brièvement sur certains éléments historiques de la relation entre Freud et Charcot, en s'appuyant sur les lettres échangées entre les deux penseurs, la correspondance entre Freud et Martha Bernays, et les propres écrits de Freud.
Palavras-chave: Psicologia
Psicanálise
Histeria
Trauma (psíquico)
Histeria masculina
Ideia fixa
Unconscious
Traumatic hysteria
Fixed idea
Psychoanalysis
Hystérie masculine
Idée fixe
Psychanalyse
Charcot
área CNPQ: CIENCIAS HUMANAS::PSICOLOGIA
Agência de fomento: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES
Idioma: por
Sigla da Instituição: Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Programa de Pós-graduação: Pós-Graduação em Psicologia
Citação: SILVA, Carmem Emanuela Santos. Histeria masculina em Jean Martin Charcot: contribuições para uma história da Psicanálise. 2026. 177 f. Tese (Doutorado em Psicologia) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026.
URI: https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25354
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