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https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25309| Tipo de Documento: | Tese |
| Título: | Os camponeses no carrossel do capital: a monopolização da terra camponesa e a produção de morango |
| Autor(es): | Santos, Eliana Vieira dos |
| Data do documento: | 26-Jan-2026 |
| Orientador: | Conceição, Alexandrina Luz |
| Resumo: | A expansão do capital no campo ancora-se na subordinação do território e das relações de trabalho, tanto de forma direta quanto indireta. O capital estabelece relações de expropriação e apropriação da terra e do trabalho, bem como mecanismos de integração da produção camponesa às cadeias produtivas do agronegócio, sempre orientado pela necessidade de sua reprodução ampliada e autovalorização. Nesse movimento, impõe formas específicas de uso do território e de organização da produção que atendem aos seus interesses, submetendo os trabalhadores camponeses a relações de submissão, ainda que sem a alienação típica do assalariamento clássico. A presente tese analisa esse processo a partir do circuito produtivo do morango, uma cultura que, embora não figure entre as principais commodities agrícolas, tem se constituído em vetor estratégico de expansão do agronegócio sobre áreas de agricultura camponesa. Nesse contexto a pesquisa/tese objetiva compreender como se efetiva a monopolização da produção camponesa pelo agronegócio com o controle da produção e da circulação, revelando a circularidade das relações econômicas e institucionais que sustentam o sistema. O lócus da investigação compreende os municípios do Centro-Sul Baiano, onde tal dinâmica se manifesta a partir do financiamento da produção de morango via sistema de fomento, praticado por empresas do setor de comercialização de frutas in natura e congeladas, com destaque para o Grupo Peterfrut. Os resultados demonstram que a inserção do camponês na produção de morango por meio do fomento empresarial busca promover a transformação da agricultura camponesa em um “agronegocinho”, induzindo o agricultor a romper com formas de vida e sociabilidade características de sua classe, sob o discurso do empreendedorismo e do alto faturamento. Na prática, contudo, esse processo incorpora o agricultor à agricultura capitalista de maneira dependente e direcionada, aprofundando sua subordinação econômica e produtiva. Na busca de analisarmos a realidade em sua essência, a pesquisa se fundamenta no materialismo histórico dialético, articulado a uma abordagem qualitativa, valendo-se de procedimentos metodológicos como levantamento bibliográfico, pesquisa de campo mediante pesquisa documental, realização de entrevistas semiestruturadas e observação direta da realidade dos agricultores camponeses dos municípios envolvidos na pesquisa. A pesquisa/tese evidencia que a monopolização do território no Centro Sul Baiano possui raízes históricas associadas à expansão de monoculturas como o café e o eucalipto, dinâmica que se atualiza com a fruticultura empresarial. Nesse cenário de expansão do capital no campo, o camponês vive a “rodar” no carrossel de “oportunidades impostas pelo capital como condição para sua permanência no campo. Conclui-se que as “oportunidades” oferecidas pelo fomento à produção de morango não constituem alternativas efetivas de fortalecimento da agricultura camponesa, mas mecanismos de expropriação e controle territorial. Como também evidencia a persistente capacidade de resistência, adaptação e recriação do campesinato, que reafirma a terra como espaço de vida e de reprodução social. |
| Abstract: | Capital’s expansion in the countryside is anchored on the direct and indirect
subordination of territory and labor relations. Capital establishes itself through the
expropriation and appropriation of land and labor, as well as in the integration
mechanisms of peasant production into agribusiness productive chains, always
oriented towards its necessity of reproduction and self-valorization. In this movement,
it imposes specific forms of territory use and production organization that satisfy its
interests, subjecting peasant workers to submission relations, although without the
typical classic wage labor. The present thesis analyzes this process through the
productive circuit of the strawberry, a crop that, while not listed as a top-tier agricultural
commodity, has established itself as a strategic vector of agribusiness expansion over
peasant agricultural areas. In this context, the research/thesis aims to comprehend
how the monopolization of peasant production materializes through agribusiness’
control of production and circulation, revealing the circularity of institutional and
economic relations that sustain the system. The investigation’s locus is the
municipalities of Bahia’s Center-South, where this dynamic manifests itself through the
financialization of strawberry production via the funding system executed by
companies in the sector of in natura and frozen fruits commercialization, especially the
Peterfrut Group. The results report that peasant insertion in the strawberry production
through corporate funding that seeks to promote the transformation of peasant
agriculture into a “tiny agribusiness”, encouraging the farmer to sever ties with forms
of life and sociability that characterize his class under the discourse of
entrepreneurship and high revenues. In practice, however, this process incorporates
the farmer into capitalistic agriculture in a dependent and oriented way, deepening the
productive and economic subordination. In seeking to analyze the essence of reality,
the research is based on dialectical historical materialism articulated with a qualitative
approach, making use of methodological procedures such as bibliographical, field,
documentary research, semi-structured interviews, and direct observation of peasants'
reality in the municipalities covered by the research. The research/thesis highlights that
the territory monopolization in Bahia’s Center-South has historical grounds associated
with the expansion of monocultures such as coffee and eucalyptus, a dynamic that
renews itself alongside corporate fruit farming. In this scenario of capital expansion in
the countryside, the peasant lives running around the carousel of “opportunities”
imposed by capital as a condition of his permanence in the countryside. The conclusion
is that the opportunities offered through funding of strawberry production are not
effective alternatives to empower peasant agriculture, but mechanisms of expropriation
and territorial control. As it highlights the peasants' persistent resistance, adaptation,
and recreation capacity, which reaffirms the land as a space of life and social
reproduction. La expansión del capital em el campo se ancla em la subordinación del territorio y las relaciones de trabajo, tanto de forma directa cuanto indirecta. El capital establece relaciones de expropiación y apropiación de la tierra y del trabajo, bien como mecanismos de integración de la producción campesina de las cadenas productivas del agronegocio, siempre orientado por la necesidad de su reproducción ampliada y su auto valorización. Em ese movimiento, se imponen formas específicas de uso del territorio y de la organización de la producción que atienden a sus intereses, sometiendo los trabajadores campesinos a relaciones de sumisión, aunque sin la alienación típica del pago clásico de salarios. La presente tesis analiza ese proceso a partir del circuito productivo de las fresas, una cultura que, por ahora no figure entre las principales materias primas (commodities) agrícolas, constituyéndose en el vector estratégico de la expansión del agronegocio sobre áreas de agricultura campesina. En ese contexto la investigación/tesis tiene como objetivo comprender como se efectiva la monopolización de la producción campesina por el agronegocio con el control de la producción y de la circulación, revelando la circularidad de las relaciones económicas e institucionales que sustentan el sistema. El foco de la investigación comprende los municipios del Centro-Sur Baiano, donde tal dinámica se manifiesta a partir del financiamiento de la producción de las fresas vía sistema de fomento, practicado por las empresas del sector de comercialización de frutas naturales y congeladas, con destaque para el Grupo Peterfrut. Los resultados demostraron que la inserción del campesino en la producción de las fresas por medio del fomento empresarial busca promover la transformación de la agricultura campesina en un “agronegocito”, induciendo al agricultor a romper con las formas de vida y sociabilidad característica de su clase social, sobre el discurso del emprendimiento y de la grande facturación. En la práctica, al total, ese proceso incorpora al agricultor a la agricultura capitalista de manera dependente y direccionada, profundando su subordinación económica y productiva. Em la búsqueda de analizar la realidad en su esencia, la investigación se fundamenta en el materialismo histórico dialéctico, articulado a un abordaje cualitativo, apoyándose en procedimientos metodológicos como el levantamiento bibliográfico, investigación de campo mediante investigación documental, realización de entrevistas semiestructuradas y observación directa de la realidad de los agricultores campesinos de los municipios envueltos en la investigación. La investigación/tesis evidencia que la monopolización del territorio en el Centro Sur Baiano posee raíces históricas asociadas a la expansión de monoculturas como el café y el eucalipto, dinámica que se actualiza con la fruticultura empresarial. Em ese escenario de expansión del capital em el campo, el campesino vive “rodando” en el carrusel de “oportunidades impuestas por el capital como condición para su permanencia en el campo. Se concluye que las “oportunidades” ofrecidas por el fomento a la producción de fresas no constituyen alternativas efectivas de fortalecimiento de la agricultura campesina, pero si mecanismos de expropiación y control territorial. Como también se evidencia la persistente capacidad de la resistencia, la adaptación y recreación de los campesinos, que reafirman la tierra como espacio de vida y de reproducción social. |
| Palavras-chave: | Geografia agrícola Geografia econômica Capital (Economia) Agronegócio Monopólios Cultivo de morango Agricultura e Estado Camponeses Agricultura camponesa Produção de morango Monopolização e territorialização do capital Peasant agriculture Agribusiness Strawberry production Capital monopolization and territorialization Agricultura campesina Agronegocio Producción de fresas Monopolización y territorialización del capital |
| área CNPQ: | CIENCIAS HUMANAS::GEOGRAFIA |
| Idioma: | por |
| Sigla da Instituição: | Universidade Federal de Sergipe (UFS) |
| Programa de Pós-graduação: | Pós-Graduação em Geografia |
| Citação: | SANTOS, Eliana Vieira dos. Os camponeses no carrossel do capital: a monopolização da terra camponesa e a produção de morango. 2026. 244 f. Tese (Doutorado em Geografia) — Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2026. |
| URI: | https://ri.ufs.br/jspui/handle/riufs/25309 |
| Aparece nas coleções: | Doutorado em Geografia |
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